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mami

viver | amar | sentir | pensar | lutar | conquistar | desafiar | refletir | descobrir | experimentar | partilhar | aprender | acreditar | sonhar * ser mãe sem me perder de mim *

viver | amar | sentir | pensar | lutar | conquistar | desafiar | refletir | descobrir | experimentar | partilhar | aprender | acreditar | sonhar * ser mãe sem me perder de mim *

ser sénior na era covid

o meu filho nasceu no início da pandemia, estamos em casa há quase dois meses, nenhum familiar ou amigo o conhece pessoalmente.

no passado domingo, numa vídeo chamada a minha mãe suspirou e lançou a questão: “será que ainda lhe pegarei ao colo?”

a minha resposta imediata foi “não sejas tonta, claro que lhe vais pegar e até te vais fartar de o fazer!”

sei que a minha mãe está cansada de estar longe dos filhos e dos netos (mesmo que alguns morem quase ao lado). sei também que está assustada pois ouve diariamente que está no grupo de risco (quer pela idade, quer pelas suas doenças do foro respiratório).

está fragilizada e insegura. sei que a sua cabeça não para de pensar e sei também que os pensamentos não são em tons de arco-íris.

a minha mãe tem a sorte de ter a seu lado o marido e um filho, que vão preenchendo o seu dia, dando-lhe trabalho e inspirando-lhe sorrisos. mas quantas pessoas não há que se encontram sozinhas ou em situações de maior fragilidade?

por cá, numa primeira fase, tivemos dificuldade em que os meus pais percebessem o real risco que este vírus trazia. achavam que era uma moda e um alarmismo produzido pela comunicação social – nada significativo perante aquilo que já tinham vivido e enfrentado. do “alto” das suas idades não estavam abertos a seguir as imposições de ninguém. quando casos próximos começaram a surgir e, pouco tempo depois, os primeiros óbitos, tocou o sinal de alerta nas suas mentes e começaram a acatar as diretrizes do confinamento.

há a velha frase “a idade é um posto”, com uma conotação positiva, associada a experiência e ao conhecimento adquirido ao longo da vida; mas agora não resisto a usá-la para colocar os mais seniores num lugar físico, a sua casa, o lar ou outro local onde resida; impedido de serem visitados por aqueles que amam, impedidos de visitar aqueles que ama. condicionados nas suas escolhas e vontades pelo “simples” facto de ter uma determinada idade (associada ou não a determinadas doenças de maior risco).

fala-se agora de diminuir as medidas de contenção e gradualmente voltar às nossas rotinas e construir uma nova “normalidade”. as crianças para as creches, infantários e atls, para libertar os pais para voltar ao trabalho, os jovens em casa a estudar autonomamente e os mais crescidos nos liceus em aulas presenciais. o comércio a abrir e até o futebol poderá (re)começar! mas tudo com apertadas regras de contacto social (ainda em preparação). e é aqui que se coloca a questão: como vão ser os relacionamentos pessoais? todos voltarão às suas responsabilidades, mas como será com os seniores? terão liberdade para fazer as suas escolhas? para decidirem se mesmo sendo uma população de risco lhes apetece arriscar e abraçar os que amam enquanto o podem fazer. e os outros que como eu, que andarão na rua e sujeitos às possibilidades de serem infetados, aceitarão o risco de contagiar aqueles que tanto amam sabendo que poderá ser letal?

esta dualidade entre a vontade e o risco é das coisas que me provoca mais ansiedade nesta pandemia, mas penso no peso que isto terá em quem sente que não tem tempo para esperar, que tem de aproveitar cada dia com abraços apertados e beijos repenicados. não será, em muitos casos, este isolamento social dos mais seniores mais prejudicial do que benéfico? como encontrar o equilíbrio? como respeitar as vontades – justificáveis – sem os por em risco? como afagar os corações e acalmar as mentes de quem está, já por si, mais fragilizado?

seniores em covid

imagem retirada daqui

nem tudo é como achamos que é

há muitos estereótipos ... e são estes muitas vezes que dificultam a realização das pessoas e a mudança de mentalidades.

há a coragem de os combater e de aceitar a diferença e o direito à igualdade.

todos diferentes graças à conjugação das suas características, todos iguais em direitos e oportunidades.

 

coisas que se ouvem

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estou numa conferência.

apresentam-se dados científicos.

e parece que: estar em processos de aprendizagem diminui o risco de obesidade! 

e num breve flashback várias noites a estudar para os exames, enquanto devorava pacotes de bolachas com pepitas de chocolate, passaram pela minha mente.

senhores investigadores tenho a informar que: há exceções!

claro que isto do estar em processo de aprendizagem é muito abrangente. mas, se exigir exames, provas ou outras fontes geradoras de stress estou em crer que muitos, como eu, abusam no açúcar enquanto passam várias horas sentados ou deitados a estudar!

calma, sei que engordar “um pouco” e obesidade não é a mesma coisa. mas o modo como as coisas foram apresentadas punham tudo na mesma saladeira!

 

 

a vontade de partir mais cedo

antes de começares a ler, quero deixar um alerta: não pretendo ferir suscetibilidades, não pretendo fazer uma condenação, não quero sequer fazer um julgamento. sinto apenas a necessidade de “botar cá para fora” as minhas inquietações.

numa perspetiva meramente estatística: qual o número de pessoas que se suicidaram que cabe conhecer a cada um de nós?

recentemente, mais uma pessoa que conhecia acabou com a sua vida (a terceira num espaço de 3 anos). 

nas últimas semanas tenho lutado por controlar o sentimento de raiva que esta situação me despertou. resultado: uma terrível baixa das minhas defesas - em consequência de noites mal dormidas-, e uma acentuada falta de concentração.

não consigo entender o que passa pela cabeça das pessoas que tomam essa decisão. não consigo perceber se é angústia, dor, incompreensão, isolamento ou impulso. mas há uma característica que parece ser consensual e transversal a todas as situações de suicídio: o egoísmo.

a falta de empatia para “quem fica” de coração despedaçado e mente cheia de dúvidas.

é uma partida inesperada e cujas causas ficam, na maior parte das vezes, por descobrir.

tenho uma amiga que defende que o suicídio, da pessoa em causa, foi  um ato de coragem. entendo que hajam percetivas diferentes da minha, mas para mim coragem é acordar cada manhã sabendo que o dia não vai ser fácil, mas mesmo assim ter capacidade para o enfrentar. desistir e abandonar a luta que é viver, não é coragem, mas sim cobardia.

tenho-me agarrado à ideia da existência de problemas psicológicos não diagnosticados. uma forma plausível de acreditar que a decisão esteve para além da vontade da pessoa.

para além da pessoa que decide partir sem avisar, existem as pessoas que carecem de sensibilidade e bom senso e que vão questionando as pessoas mais próximas da vítima: “não repararam em nada; não viram os sinais; não seria uma situação anunciada? o que esperam estes obter como resposta? um "claro que reparei, mas deixei que se matasse!"? 

pois como todos sabemos, familiares e amigos necessitassem certamente de (mais) motivos para fazerem crescer em si uma culpa sem fundamento. e não me vou estender aqui com a curiosidade mórbida daqueles que querem saber todos os pormenores.

por último, quero falar das mães e dos pais, que não estando preparados para verem partir os filhos, seja por que causa for, levam com o choque destes partirem por decisão própria. chamando a si, mesmo que de modo inconsciente, toda a responsabilidade, por não os terem conseguido proteger.

 

uma morte tem sempre danos colaterais; um suicídio agrava-os e perpetua-os.

 

a vontade de partir mais cedo

imagem retirada daqui

se pudesses reviver um dia do teu passado, qual escolherias?

acredito que o autoconhecimento é a melhor forma de atingir a paz interior. descobrir e resolver questões que fomos enterrando no nosso íntimo na esperança que desaparecessem.

assim desafiei-me a responder à pergunta: se pudesses reviver um dia do teu passado, qual escolherias? 

não foi fácil nem rápida a escolha.

dilema: deveria escolher um dia feliz para reviver todas as sensações boas, ou escolher um dia menos feliz mas que me possibilitasse rever acontecimentos e melhor compreender as coisas?

quando surgiu a questão soube quem queria rever. só não sabia “quando”. como sempre é da reflexão que surge a luz.

 assim, escolhi um dia banal, pois é no somatório desses dias que se constrói o extraordinário de uma relação. decidi reviver um dia sem dramas, sem stress, sem euforias, sem nada que condicionasse o simples e genuíno prazer de estarmos juntas (rir, desatinar, gozar com as gafes da outra, decidir o que vamos jantar…). mais, queria reviver esse dia sem ter a consciência que em breve ela desapareceria para sempre da minha vida. queria (re)viver a inocência de acreditar no para sempre, de pensar impossível que uma jovem cheia de garra possa desaparecer aos 17 anos num acidente incompreensível. perder alguém que amo, que conheço desde que nasceu, sangue do meu sangue, foi a experiência mais dolorosa que já vivi. lembrar-me dela desperta em mim um sorriso nostálgico, não triste; sinto-me feliz por ela ter existido, por ter feito parte da minha vida, a dor que senti ao perdê-la foi justificada por tudo o que vivemos e não abdicaria disso por nada.

 

saudade

 

imagem retirada daqui

 

diz-se que: o amor pode ser eterno; o amor é imortal!

que nada roube a cor aos nossos tesouros

ser mãe, ser pai, exige a arte do malabarismo.

 

equilibrar as imposições da realidade, a satisfação das necessidades básicas, com os desejos das nossas crias (e os nossos) para respeitar o nosso brilhozinho interno.

 

 

 

 

gerir todos os fatores que influencias e condicionam a nossa vida não é certamente fácil. mas, em alternativa, deixar que estes nos roubem os nossos sonhos, o nosso entusiasmo e a nossa alegria, é condenar-nos a uma vida sem brilho nem cor.

rebanho

desde cedo descobri que detestava andar em rebanho.

ir onde todos vão, fazer o que todos fazem. apenas porque sim.

diluir-me no todo.

nunca percebi o problema da ovelha negra.

não é ela a mais recordada e nomeada?

não é ela a que mais se destaca por ser diferente?

que mal tem isso?

se eu estivesse num rebanho seria essa ovelha que eu quereria ser

- que se note que não almejo ser o pastor –

custa-me a compreender a necessidade de certas pessoas em nos quererem obrigar a ir no rebanho; que ficam ofendidas se não aceitarmos o – nada inocente – convite.

pessoas que reclamam uma dívida para com elas só porque decidiram – de livre e espontânea vontade – fazer o que aos seus olhos é simpático para nós.

não me interpretem mal, não sou uma pessoa ingrata.  mas não gosto que outros me imponham a sua “boa vontade”.

na minha perspetiva isso não é simpatia, é intromissão.

e quando acham que o que decidiram fazer “por nós” exige a nossa gratidão e obediência, vejo-me perante uma situação – de tentativa – de manipulação.

pessoas lindas deste planeta, por favor entendam, que o que vocês querem para vocês pode não ser o que as pessoas querem para si. acreditem ou não, somos diferentes. aquela expressão de trata os outros como gostaria que te tratassem a ti não é para ser levada à letra. é apenas uma ideia global de que devemos respeitar os outros… também nas suas diferenças.

se fizerem algo por alguém, sem que esse alguém vos tenha pedido, entendam que, eventualmente, poderão estar a exceder o vosso espaço de intervenção e, sim, poderão não receber gratidão.

boa vontade e intromissão estão, como as nádegas, divididas por uma linha muito ténue.

rebanho

imagem retirada daqui

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