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mami

viver | amar | sentir | pensar | lutar | conquistar | desafiar | refletir | descobrir | experimentar | partilhar | aprender | acreditar | sonhar * ser mãe sem me perder de mim *

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4 livros para o desfralde

livros para crianças

o desfralde por cá foi um pequeno pesadelo.

provocado por mim.

após o verão a miúda iria para a escola pública e eu queria a todo custo que já fosse sem fralda. 

estive mal.

não é mentira que temos que respeitar os seus timings (eu sabia-o, mas decidi, tontamente, ignorar este facto).

criei uma situação desagradável para mim e para ela, que durou o verão todo!

quando desisti de pressionar, e quando ela quis, gradual e serenamente, deu-se o desfralde.

um dos sinais que deu de que estava preparada para iniciar o processo foi o aceitar a leitura de livros sobre o assunto. na fase conturbada, negava-se a ler as histórias, ignorava os livros sobre o assunto.

hoje partilhamos convosco os livros que nos acompanharam neste processo de emancipação das fraldas 

nonô e o bacio

nonô é uma personagem muito fofa e com personalidade. um dia é surpreendida com um novo objeto que a mama traz para casa: o bacio! a historia mais não é do que a adaptação da personagem à realidade que este novo objeto trouxe.

sem género, permite a identificação da criança com a personagem.

 

 

apreciação mami:  o livro tem ilustrações lindas, as páginas são plastificadas, portanto à prova de crianças pequenas; é um livro muito resistente e de fácil limpeza. é muito fácil a identificação da criança com a personagem e com as suas peripécias.

apreciação pg:  foi a primeira história para o desfralde que usamos. ela gostou muito da nonô e conseguiu acompanhar muito bem a história, conseguindo contar o que ia acontecer de seguida. foi muito fácil dizer-lhe: “vamos fazer chichi no bacio como a nonô?” 

 

autoras: sibylle delacroix 

editora: booksmile

dimensões: 17cm x 17cm

preço: 7€ (preço médio)

 


e depois das fraldas?

livro interativo sobre uma criança que descobre o bacio e vai acompanhando o pequeno leitor na mesma descoberta. a criança começa por interrogar o que é aquele objeto “a brincar com ele”, passando depois a explicar a sua utilização.

apreciação mami : o livro apresenta-se com uma linguagem direta e relacionada com o universo da criança. as “patilhas” e “janelas” são de fácil manuseamento e são resistentes. imagens bonitas e interação muito bem conseguida.

apreciação pg : foi dos livros que mais a prendeu na fase do desfralde. a facilidade com que interage com o livro, dando-lhe autonomia na sua exploração foi um dos aspetos que mais a cativou. conseguiu facilmente criar empatia com a criança da história.

 

autoras: marianne bogardt e maxie chambliss

editora: dom quixote

dimensões: 17,2 cm x 17 cm

preço: 4,90€ (preço médio)

 

a orquestra do bacio

livro musical e interativo com belas ilustrações de uma orquestra muito especial. o pinguim dirige a orquestra onde os animais produzem os seus sons fazendo chichi e/ou cocó no bacio.

 

 

apreciação mami :  o livro é apelativo e engraçado, mas a meu ver não cumpre a sua função. Não é de fácil compreensão para a criança o objetivo do livro. Outro aspeto menos positivo é o facto de as folhas serem de papel pouco resistente para este tipo de livros mais interativos. Um aspeto que considerei interessante foi o terminar com o apanhado de todos os sons o que nos permite trabalhar com a criança a identificação dos sons, possibilitando trabalhar o vocabulário e à criação de relações.

apreciação pg :ela adora animais, e gosta imenso de interagir com os livros, portanto adorou o livro e riu-se imenso com os sons.

livros para o desfralde

 

autoras: guido van genechten 

editora: minutos de leitura

dimensões: 25,6 cm x 21,5 cm

preço: 15€ (preço médio)

 

posso espreitar a tua fralda?

um ratinho muito curioso é o protagonista desta história com abas que permitem espreitar a fralda dos amigos. numa linguagem simples e apelativa o ratinho vai vendo que os seus amigos têm cocó na fralda. quando estes lhe pedem que mostre a sua, ele mostra orgulhoso uma fralda limpa porque já faz cocó no bacio.

 

antes de entrar na aventura do desfralde achava, inocentemente, que o processo se dava em simultâneo para o chichi e para o cocó. por cá não foi assim. houve bastante resistência a fazer cocó fora da fralda. este livro foi muito importante para desconstruir essa situação.

apreciação mami:  o livro tem ilustrações muito bonitas e as abas funcionam muito bem (e são resistentes). o texto é claro, com bom ritmo e é apelativo (acho que nunca vou compreender a graça que o “cocó” tem para a miudagem!).

apreciação pg: adorou a história. achou muita graça aos animais e aos diferentes cocós. manuseava com facilidade as abas e reproduzia, ao jeito dela, a história. 

autoras: guido van genechten 

editora: minutos de leitura

dimensões: 25,5 cm x 26,4 cm

preço: 12€ (preço médio)

ser mulher continua a não ser fácil

reflexão sobre o dia da mulher

ser mulher continua a não ser fácil e não é um ramo de flores, descontos de 50% na newsletter de produtos de beleza ou a criação de um vinho rosé chamado woman que muda a situação – estes são apenas alguns exemplos com os quais fui confrontada nos últimos dias.

o dia internacional da mulher, cuja origem podem explorar aqui, mais não é do que a luta pelos direitos humanos, pela igualdade de oportunidades e pela não descriminação. parece coisa do século passado…e até é, pelo menos a criação da data, mas na verdade de forma mais ou menos explicita continua a ser necessário gritar a viva voz que ainda não são dados os mesmos direitos e oportunidades a mulheres e homens.

mas não é isso que me apraz explorar hoje. venho apelar à reflexão sobre como podemos andar (algumas de nós) perdidas com esta questão do ser mulher emancipada e moderna. sobre a nossa vontade de fugir de estereótipos e preconceitos relacionados com a beleza, com a inteligência, com a emotividade, com a independência, com a maternidade, com a capacidade de fazer isto ou aquilo (por uma questão de género)… e como podemos estar a oprimir quem nós somos ou quem nos educamos.

sem querer podemos estar a alimentar o preconceito por oposição. porque não aceitar que efetivamente podemos ser tudo, ou melhor que gostar de determinada coisa não implica não ser capaz de outra. será que não é possível ser-se engenheira aeroespacial, bonita e gostar de acompanhar o big brother?! ou ser esteticista, gostar de música clássica e ler saramago? ou optar por ser mãe a tempo inteiro, passar o dia a ouvir os caricas e à noite ver o national geographic? ou ser empreendedora, passar o dia em reuniões e à noite atirar-se no sofá, a ver qualquer coisa sem interesse real, a beber um copo de vinho enquanto afaga o seu caniche?

ser mulher não implica encaixar num padrão. assim como ser homem também não.

confesso-vos que muitas vezes sinto-me aprisionada por esta questão do ser mulher e não querer desonrar o género. mais ainda, desde que me tornei mãe, sinto o peso da responsabilidade da educação de uma futura mulher e de um futuro homem. e questiono muitas vezes se pelo peso cultural e emancipatório que carrego, não estarei a forçar em algumas coisas um caminho que poderá não ser o que eles naturalmente escolheriam. sei que faço bem em escolher os desenhos animados a que assistem, para que vão ao encontro dos princípios e valores que defendo. que abolir estereótipos de género como as cores que vestem ou as brincadeiras que fazem é o correto. mas será que se a miúda quiser fazer ballet eu devo conduzi-la para o salto em comprimento? ou se ele quiser fazer salto em comprimento eu o deverei conduzir ao ballet? se ela quiser ser educadora de infância a deverei conduzir para engenharia? se ele quiser estudar polímero dos materiais eu deverei sugerir design?

sei que não. que não tenho o direito de os usar como bandeira de nada. que só pensar nisto é alimentar o estereotipo e o preconceito. e é esta desconstrução que tem ainda um longo caminho a ser desbravado. sobretudo porque os extremismos estão ainda muito presentes.

este meu receio ilustra uma mulher independente, com um profissão que lhe dá uma vida confortável, e com gostos ecléticos, que não se sente ainda confortável com esta questão da igualdade de género, por não acredita nela, e que, de alguma forma, contribui para que esta continue a ser uma questão pelo seu comportamento de oposição muitas vezes desnecessário.

 

dia da mulher

 

sei que poderei recear a influência do contexto cultural e do contexto educativo fora do agregado familiar, mas que não tenho o direito de manipular ou castrar a minha filha ou o meu filho. viver a liberdade é mais difícil do que defende-la. porque a liberdade plena (caso exista) deverá ser desprovida de qualquer estereótipo, preconceito ou juízo de valor.

 

 

livros para explicar a chegada de um irmão

livros infantis

a nossa decisão de ter um segundo filho esteve relacionada com o facto de desejarmos que a pequena tivesse uma relação fraterna. ambos temos irmãs/irmãos e para além das felizes relações que temos em adultos, temos memórias únicas de situações da nossa infância (das mais ternurentas às mais, como posso dizer… de sobrevivência).

queríamos que ela tivesse uma irmã /um irmão, mas será que ela queria? claro que não. nesta idade (dois anos) quer a omnipresença dos pais e toda a atenção destes. por isso, assim que a barriga se tornou visível, começamos a falar-lhe do bebé que vinha a caminho. ela nunca se mostrou interessada no assunto. dizia que o bebé estava na barriga da mãe, quando as pessoas – compulsivamente – lhe perguntavam pelo mano (tive que por um ponto final a essa persistência, pois se a miúda queria ignorar a situação havia que dar-lhe tempo, para além de ela querer que lhe falassem dos lindos “totós” ou do bem que dançava, não do bebé).

como ela adora livros, estes foram, obviamente, a estratégia adotada para aprofundar o assunto da chegada do bebé. mas mais uma vez ela impôs as suas preferências. aceitou muito melhor o livro que faz uma abordagem ao tema através da fábula, do que aqueles que o fazem através da representação de figuras humanas.

 

 

à espera de um irmãozinho

 

à espera de um irmãozinho

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

um livro com desdobráveis que permite “espreitar” o que vai acontecendo dentro da barriga da mamã que vai ter um bebé.

ao longo da história a maria, criança pequena que vai ter um irmão, manifesta várias emoções (cólera, ciúme, admiração, felicidade) e a mamã e o “mano” vão reagindo às mesmas.

o livro tem muitas potencialidades para exploração do desenvolvimento do bebé, à medida que a barriga da mamã cresce, bem como das emoções que a irmã mais velha vai experimentando.

 

 

apreciação mami:     a linguagem é simples e objetiva. a criança (irmã mais velha) vai sendo interpelada de forma clara. as personagens e as ilustrações são “reais”  e a história do livro acompanha a “evolução” da gravidez. permite trabalhar as várias emoções, proporcionando a identificação da leitura com a personagem (maria).


apreciação pg:    a pg gostou dos desdobráveis (ela gosta de tudo o que lhe permite interação). no entanto, o facto de ser tão objetivo e de a confrontar com uma realidade que lhe é desconfortável, nem sempre estava “disponível” para o explorar. (nota: tem entre 22 a 26 meses no momento de exploração do livro)

 

autora: marianne vilcoq 

editora: minutos de leitura

dimensões: 12,9 cm x 24,1cm

preço: 9€ (preço médio)

 

mais um

 

mais um

 

para além do tema central da chegada de (mais) um irmão, é abordada a questão temporal, através das estações do ano, e características associadas aos vários animais que participam na história, por exemplo, o pica-pau trabalha a madeira, a ovelha tricota a lã.

ao longo da história a criança vai integrando o conceito de fraternidade e das vantagens de ter um irmão (sobretudo através das brincadeiras que juntos poderão fazer), as emoções são trabalhadas de forma positiva (curiosidade, espectativa, …) e “todos” são envolvidos nesta aventura da chegada de mais um elemento da família.

 

 

 

apreciação mami:     o livro apresenta-se numa linguagem apelativa para as crianças. é muito rico em pormenores e aborda vários aspetos tendo imensas possibilidades de exploração. segue uma ordem cronológica e cada nova introdução de conteúdo/informação conclui com o sumário das anteriores, trazendo ritmo à história.

apreciação pg:      adorou a história, as personagens (adora tudo o que envolve animais) e as imagens. interagia com as personagens e, passado algum tempo de exploração do livro, contava a história com entusiasmo.

 

autora: marc taeger e olalla gonzález 

editora: kalandraka

dimensões: 19,1 cm x 26,2cm

preço: 14€ (preço médio)

 

 

camila tem um irmão

 

a camila tem um irmão

esta história tem a particularidade de incluir o pai em todo o processo em que a personagem descobre que vai ter um irmão e lida com as emoções que esta nova situação desperta, ficando gradualmente entusiasmada por ser a irmã mais velha.

trouxemos o livro da biblioteca mas não o trabalhamos. a pg não mostrou interesse, quiçá será adequado a crianças mais velhas (pelo texto e pela forma como as situações são abordadas).

 

autora: aline de pétigny e nancy delvaux 

editora: asa

dimensões: 22,3 cm x 22,8cm

preço: 6,50€ (preço médio)

 

vai chegar um bebé

este foi um livro que não lemos porque na altura não estava disponível na nossa biblioteca, mas que me pareceu muito interessante pelas vária pesquisas que fiz. é um livro editado pela caminho, escrito  por john burningham que conta com as belas ilustrações de helen oxenbury.

 

nota: a pg tinha entre 22 a 26 meses no momento de exploração dos livros

longos dias cinzentos com uma mãe ausente

confinamento, maternidade e teletrabalho

a pandemia prolonga-se por demasiado tempo. este é certamente um pensamento que nos liga. estamos todos e todas ansiosos/as e cansados/as desta situação. o confinamento não traz apenas uma limitação da nossa liberdade física, traz também uma pressão psicológica sobre o nosso dia-a-dia.

a doença traz constantes novidades: as consequências, as variantes, os medicamentos que ajudam ou prejudicam, as vacinas; em suma, muita informação, muita contrainformação, mais incertezas do que certezas.

estamos no campo do desconhecido em muitos aspetos, pelo que, o melhor é não ficar doente, por nós e pelos que amamos. mas parece cada vez mais uma inevitabilidade, se não for agora, será daqui a um mês ou no próximo outono. e esta sensação torna-nos mais frágeis e por vezes mais inconsequentes, e a “profecia” autorrealiza-se.

como sou nova nisto do confinamento enquanto mãe e trabalhadora (no primeiro confinamento estava em licença de maternidade), estava convencida de que assim que fechassem as escolas poderia pedir algum tipo de “baixa” - já estava em casa com os miúdos, por opção, em teletrabalho há duas semanas quando se deu o fecho das escolas. ora bolas, pensei mal! quem está em teletrabalho não tem acesso ao apoio para pais com crianças menores de 12 anos.

compreendo que o país esteja à beira da rutura económica e que por isso é esperado que os pais façam (mais) um esforço, mesmo que isso os deixe à beira da loucura!

e entenda-se que o problema não é cuidar dos catraios, fazemo-lo aos fins-de-semana e em férias com todo o prazer…e mesmo no dia-a-dia após o horário laboral.

o problema está em querer compatibilizar, no mesmo horário e espaço, o que não é compatível. a constante dualidade entre ser mãe ou ser profissional (já tirei da equação o ser “boa” em qualquer uma das funções) cria uma tensão enorme desde o final da primeira chávena de café até ao deitar.

como explicar a uma criança de 3 anos ou a um bebé de 10 meses que a mamã está em casa, mas não pode estar com eles, a satisfazer as suas vontades. como explicar à mais velha que não pode dar um ar da sua graça frente à câmara nas reuniões zoom da mamã ou, ao mais novo, que há “horários” em que não pode fazer birra?

depois há a questão de que, como não conseguimos ser eficazes no cumprimento das nossas responsabilidades profissionais, não conseguimos “sair a horas”, ou seja, a situação alastra-se bem mais do que as 7 horas do horário de trabalho.

quando finalmente encerramos o computador (nem sempre porque acabamos, mas sim porque os miúdos têm de jantar) eles esperam de nós aquele tempo prometido, mas nós já estamos mentalmente esgotados, desprovidos de qualquer capacidade de ir para além do que “tem mesmo de ser”, desejando apenas silêncio e um copo de vinho à lareira, enquanto eles anseiam por brincadeiras e gargalhadas depois de um dia repleto de “agora não”, “a mamã tem de trabalhar”, “já te pedi para parar” - isto nem sempre dito no tom mais adequado.

maternidade e teletrabalho

 

é assim que, ao final de um dia a tentar chegar a todo lado, sinto-me um fracasso, um embuste. olho para os meus filhos e penso que não merecem esta mãe, que eu não quero ser esta mãe sempre à beira do grito, sempre tensa, stressada.

eles não fazem nada de diferente do que fazem ao fim-de-semana, a diferença não está neles, está em mim. ao fim-de-semana não há horários, prazos a cumprir, reuniões, relatórios ou telefonemas. ao fim-de-semana estamos os 3 em harmonia, nos nossos ritmos, eles não reagem com birras ou chamadas de atenção à minha “ausência”, porque estou lá para eles, estou presente.

o confinamento, que só por si é pesado, veio acompanhado de uma chuva que teima em não parar, assegurando que nem passeio higiénicos as crianças dão. é assim que caracterizo os tempos que vivemos por estes lados: longos dias cinzentos com uma mãe ausente.

o novo confinamento e as escolas

vida de mãe

não me considero uma mãe galinha. panico muitas vezes mas tento, sempre que o meu sistema nervoso o permite, dar a máxima liberdade à minha filha e ao meu filho para que explorem e se apropriem do mundo.

no atual cenário de confinamento total que afinal é parcial, tenho de confessar que não me sinto confortável em ficar em casa, protegida, e enviar as minhas crias para a escola. não me faz sentido nenhum. e é aqui que descubro que, quiçá, sou afinal uma mãe galinha.

não sendo especialista em nenhuma das complexas áreas que estão implicadas na decisão de manter as escolas abertas, e tendo percebido que há pais e professores que apoiam esta decisão do governo, concluo que efetivamente sou uma mãe galinha.

mas sabem que mais? quero lá saber!

ainda pouco se sabe sobre as consequências a longo prazo da doença e pelo sim pelo não, e dado o facto das crias não estarem na escolaridade obrigatória, assumindo que, provavelmente, vou enlouquecer em casa, em teletrabalho, com um bebé pequeno e uma bebé grande, vou mantê-los debaixo das minhas asas. sei que muitas vezes vou perder a cabeça e desatinar por saturação,  mas sei também que não conseguiria ficar bem, com a minha consciência, se um deles ficasse doente sabendo eu que poderia tê-lo/tê-la tido comigo, em segurança, em casa. esta opção não me torna melhor mãe, nem torna as que tomarem opção diferente piores mães. 

vamos lá fazer figas para que este novo esforço de tod@s se traduza em resultados que nos ajudem a manter a esperança de que este episódio chegará ao fim.

 

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pais gabarolas

parentalidade

há 3 anos atrás era eu mãe de primeira viagem. aderi a vários grupos de fecebook de mamãs, para me sentir acompanhada nesta viagem. houve momentos em que estes grupos foram de bastante ajuda, outros em que foram assustadores por demonstrarem que as mamãs podem ser seres cruéis e mesquinhos (umas para as outras) e outros em que se assistia, apenas, a uma feira de vaidades. juntando os dois últimos pontos mencionados, lembro-me de várias situações em que aconteciam coisas deste género:

- uma mamã pede ajuda para tentar verificar se é “normal” que a filha/o aos dois anos ainda não falar. a resposta de uma mãe: “o meu é super desenvolvido, fala desde que tem um ano, no infantário dizem que é o mais desenvolvido”. serei eu a única a questionar o que raio tem esta resposta a ver com a dúvida/ansiedade partilhada pela outra mãe?!

- uma mamã inicia uma conversa descrevendo todos os feitos do filho de 6 meses: gatinha, põe-se de pé, bate palmas e quiçá, não me recordo bem, falava inglês. muitas mães na sua simpatia respondiam dando os parabéns por tal desenvolvimento outras desejando que a sua criatura tivesse o mesmo nível de desenvolvimento.

todas as mães, todos os pais, têm orgulho nas conquistas das suas crias. mas essas conquistas são individuais e têm a ver com inúmeros fatores. não são uma corrida, não há competição ou não deveria haver.

a minha filha sempre teve o seu ritmo, nunca foi precoce em nada, embora tenha atingido os patamares de desenvolvimento no tempo estipulado por quem disso sabe.

pais gabarolas

agora, na segunda viagem desta aventura exigentemente desafiadora de ser mãe, tenho um filho que não tem tempo a perder. fez as aquisições motoras muito cedo (erguer, virar, gatinhar, andar… e em breve, temo mas sei, trepar, escalar e quiçá até voar!).

dois filhos, dois ritmos de desenvolvimento completamente diferentes.

e não, não estou nos grupos de mamãs de facebook a dizer que tenho um nélson évora.

no entanto, há algo que por cá ocorre que me tem irritado. tenho uma sobrinha que é 3 meses mais velha do que o meu catraio, com um ritmo de desenvolvimento perfeitamente normal. o progenitor cá de casa sofre do síndrome de mãe de grupo de facebook. quando está junto do irmão não para de elogiar os feitos do filho, enaltecendo o futuro spider man que por cá temos. faz comparações entre as criaturas e enerva-me as entranhas. já tentei explicar que “não é bonito”, mas não se aguenta (nem ele de falar, nem os outros de o ouvir).

a empatia e a assertividade devem conduzir o nosso comportamento social. a vaidade não nos pode cegar. e não me entendam mal, tenho imenso orgulho nos meus filhos, nos seus feitos e nas suas conquistas, mas são eles que têm de sentir este meu orgulho, por quem são e pelo que são, não por comparação com outros seres (a vida depois lhes trará isso).

mamãs e papás, não comparem os vossos filhos/as com os dos outros, olhem para as vossas estrelinhas e festejem cada conquista. não somos todos iguais, nem temos de ser. cada criança tem uma vida pela frente (assim desejamos) para se destacar, para descobrir as suas potencialidades, para brilhar. estejamos presentes.

 

a ignorância é uma bênção

e o amor também

ontem em conversa com um amigo, sobre o que gostaríamos para as nossas filhas, surgiram vários aspetos. hoje, vou aqui destacar um: a ignorância (que ele teimosamente chamava de inocência).

há uma expressão em inglês que “my person” costuma usar “ignorance is bliss”, na qual eu acredito piamente.

fazíamos a analogia entre o acreditar no pai natal e no amor.

é verdade que o natal, depois do reinado do pai natal, continuará a ser uma época especial de reencontro familiar e de troca de presentes, mas terá perdido a magia no imaginário das crianças. deixará de ter o encanto e a magia do senhor de barbas brancas que lhes vinha deixar uma prenda especial (que a criança desejou e pediu…e para a qual se terá portado bem durante o ano  ).

algo semelhante acontece com a crença no amor. eu sempre fui uma sonhadora, uma devota do amor. até que cresci. e vi muita coisa. soube de muita coisa. percebi que o amor é um sentimento construído, que implica duas pessoas e que pode ser quebrado pelo cansaço, ou pela mudança de interesses, ou por nada, ou por tudo, ou unilateralmente, ou ... é um sentimento vivo que se alimenta do que o rodeia, que se distrai e que por vezes se perde. esta consciência fez-me começar a ser cautelosa, a medir afetos e investimentos. fez-me racionalizar o amor, portanto retirou toda a magia a este “nobre” sentimento.

tenho saudades de acreditar no pai natal, assim como de acreditar no amor!

espero que a minha pequena princesa guerreira acredite por muito tempo na magia, que se deixe encantar, que viva feliz cada amor, que acredite que se não acertou numa relação é porque não era essa a “tal”, que a sua cara-metade estará por chegar; mas que se valorize, que nunca perca a sua essência, que não aceite nunca menos do que merece, do que a faça sonhar, do que a faça sentir especial … que viva feliz na ignorância de que o amor pode acabar.

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imagem retirada daqui

parto normal vs cesariana

antes de começar deixo a nota de que cada mulher é um ser único, sente e vive as coisas de uma forma muito pessoal. esta é a minha partilha pessoal de como vivi e senti cada um dos tipos de parto: primeiro uma cesariana de emergência e depois, passados 27 meses, um parto normal.

sou um ser mega cagufa, que não nutre simpatia alguma pela dor e que agradece a existência dos fármacos. na minha família as mulheres tiveram sempre partos complicados: pouca dilatação, episiotomia - corte no períneo-, extração com ventosas e/ou fórceps – tudo depois de muiiiitaaaasssss horas em trabalho de parto. dado este cenário sempre tive pavor de um parto normal.

durante as gravidezes tentei relativizar a questão do parto, visto ser uma inevitabilidade. no entanto, nas últimas semanas de gestação é quase impossível não pensar nesse momento. as aulas de preparação para o parto e parentalidade ajudam neste aspeto, vão tornando o momento gradualmente mais “real” e dão-nos a sensação que “não vamos às cegas” – embora em boa verdade vamos, porque dificilmente as coisas saem como “treinamos”.

na primeira gravidez embora estivesse tudo previsto para ser parto normal, como a minha princesa decidiu sentar-se, acabei por ser submetida a uma cesariana de emergência. confesso que tenho apenas flashbacks de todo o processo. tinha contrações regulares e intensas que tive de aguentar por mais 5 horas após entrada na maternidade - visto que para me ser administrada a epidural teria de ter um jejum de no mínimo 6 horas. após este período segui para o bloco de partos e lembro-me da paz que senti após a epidural (anestésica) começar a fazer efeito. lembro-me de ter rido após uma das enfermeiras me ter informado que me iam prender os pulsos  (fiquei como os braços abertos, tal qual cristo na cruz). a partir daqui pareceu-me tudo muito rápido. embora saiba que não foi. na minha ignorância eu achava que na cesariana era tudo muito simples: era abrir e tirar a bebé. no meu caso não foi assim tão simples, o médico teve de fazer algum esforço para conseguir tirar a bebé – até se via suor na tua testa! por duas vezes senti-me a “apagar” durante o parto, mas a anestesista, que foi a minha companhia durante todo o parto, era super atenta e profissional e resolveu sempre a situação. a bebé nasceu às 22h00. depois veio o segundo momento hilariante do parto: a aspiração. novamente não resisti a rir. senti-me como aqueles sacos de arrumação “a vácuo” onde se tira o ar com o aspirador, muito divulgados na televendas.

no dia seguinte senti a força da gravidade assim que pus os pés no chão, foi uma dor horrível e parecia que todos os meus órgãos estavam a ser puxados para o chão, nem conseguia endireitar as costas. rir, tossir, levantar, sentar, tudo doía, tudo o que implicasse esforço abdominal, mesmo estando sedada com morfina e posteriormente com um primo da morfina – abençoados fármacos! a cinta pós-parto dava algum conforto, parecia que mantinha “tudo” ali aconchegadinho. a primeira semana foi dura, na segunda foi melhorando. gradualmente tudo ficava mais fácil. tive muito cuidado para não fazer “asneiras” e ter uma boa recuperação.

na segunda gravidez, visto os partos ocorrerem num intervalo superior a 24 meses, o parto seria, à partida por via vaginal. confesso que o meu receio de um parto normal era tão grande que mantinha a esperança de uma segunda cesariana, mas tal não aconteceu. o meu príncipe nasceu por parto normal.

contrações fortes e ritmadas. percurso para a maternidade. internamento na maternidade à espera de alcançar 3 dedos de dilatação - sem atingir esse marco não nos levam para a sala de partos. 6 horas de contrações, com um analgésico injetável que em nada aliviou as dores, verificações pontuais da enfermeira para verificar a dilatação. na última verificação a enfermeira, não o dizendo, rebentou-me “o saco”, foi uma dor indescritível. confesso que chorei. já estava cheia de dores e aquele momento foi tão doloroso que já não aguentei e cedi. mas vá, a vantagem é que após esse momento fui para o bloco de partos. passado uma hora já estava com a epidural (analgésica) e tinha o meu companheiro a meu lado. agora era só esperar que o meu corpo cooperasse e se desse a dilatação. até deu para dormir uma soneca de tão maravilhosa que era a ausência de dor. passadas mais seis horas estava a dilatação feita, 10 dedos simpáticos! – na última hora houve a ajudinha da querida ocitocina.

a equipa foi super querida e simpática. sentia-me uma atleta olímpica com uma claque motivadora (sim porque o número de estagiários era significativo). não senti dor absolutamente nenhuma. senti, por vezes que não ia conseguir, porque ao fazer força não aguentava o tempo suficiente. mas lá consegui, com a ajuda de episiotomia. o bebé nasceu às 16h00. alguns aspetos menos simpáticos: sim, pode fazer-se coco em consequência da força; as hemorroides podem ser uma consequência pouco simpática e, tive o azar de que quem me deu os pontos da episiotomia foi uma médica estagiária (com pouco jeito) – não senti dor nenhuma era mais o stress de a ver a fazer e desfazer pontos com a orientação da médica sénior (já quase a bufar).

nessa noite quando me pus de pé não houve dor catastrófica. pensei que poderia ser de estar ainda sob o efeito da epidural. mas afinal não. no dia seguinte estava igual. tinha algum desconforto em consequência das hemorroides e dos pontos (nesta ordem), mas suportáveis e geríveis com paracetamol, ibuprofeno, creme e gelo. pude autonomamente tratar do meu bebé. podia rir - pese a fase que se estava a viver, embora o tossir não fosse agradável. a recuperação foi super rápida.

não haja ilusões: o parto implica dor, para quem aceitar os fármacos, a dor, à partida, poderá ser sentida antes e depois. para mim que tive uma cesariana de emergência, não prevista e tendo por isso sentido as intensas contrações, a única diferença entre os dois partos (ao nível da dor) foi a recuperação e, neste aspeto, prefiro sem dúvidas o parto normal.

o nosso receio da dor poderá faz-nos acreditar que a cesariana é mais simpática. mas é importante recordar que o parto não se resume ao momento do nascimento, há que enfrentar o depois … que dura mais tempo e, de certa forma, exige mais de nós.

parto normal vs cesariana

 

tive uma (boa?!) ideia!

não sei se é uma boa ideia. mas a verdade é que a qualidade de uma ideia só é validada após a sua implementação. por isso vamos, por enquanto e por simpatia, assumir que poderá se uma boa ideia.

estou em casa, com a minha família nuclear (companheiro e rebentos), há 14 dias. não contactámos fisicamente com ninguém, não saímos de casa para nada. falamos, por videochamada, diariamente com a família alargada. vamos ao jardim apanhar uns raios de sol nas "ventas" sempre que possível. 
estou a enlouquecer. tratar de um recém-nascido (e a privação do sono que isso implica) e lidar com uma bebé de dois anos que não está a lidar nada bem com a invasão da nossa família por parte daquele pequeno ser que ocupa muito espaço, está a deixar-me sem paciência.
o big brother da vida real é muito desafiante e esgotaste! a minha energia cai a pique, enquanto a deles se exponencia!

foi neste contexto que tive a ideia. a ideia simples de explicar ao papá o maravilhoso que seria se ele fosse acampar no jardim com a pequena durante a próxima semana. podiam aprender tantas coisas novas! fazer fogueiras, cozinhar no camping gás, tomar banho de mangueira ...tantas possibilidades para o desenvolvimento físico, cognitivo e emocional da pequena. estranhamente o papá não achou boa ideia. referiu uma acentuada descida da temperatura e outras coisas que mal ouvi... coisas insignificantes perante todas as potencialidades da minha proposta.

criatividade

imagem retirada daqui

 

bem, parece que a ideia terá de ficar "suspensa", mas pelo tempo que durará a pandemia ... voltarei ao ataque quando o calor chegar! 💪☺️🙏

 

nascer em tempos de covid-19

nasceste num momento histórico a nível mundial. certamente o estudarás na escola; mas o que a mamã te dirá é que foram tempos de muita incerteza e de muita esperança. em que se assistiu ao melhor e ao pior das pessoas.

quando perguntares porque não tens fotografias com os avós, com os tios ou com os primos, dir-te-ei que nasceste só para nós - e que assim foi nos teus primeiros meses de vida. que todos tinham muita vontade de te conhecer, de te pegar ao colo, de fazer macaquices para te ver sorrir…mas que tudo isso teve de esperar, pelo nosso bem e pelo bem dos teus avós, heróis noutros tempos que precisavam agora de ser protegidos e salvos pelo nosso amor.

nasceste numa época em que se apelava ao afastamento social, onde os abraços, beijos e miminhos - tão característicos do nosso povo latino -, tinham de ser adiados por tempo indeterminado.

dir-te-ei que durante muito tempo não exististe para o nosso estado - não havia como te registar e te tornar cidadão português. que o controlo de peso, as consultas de desenvolvimento foram suspensas. nasceste no século xxi perdido algures no início do século xx.

dir-te-ei também que correu tudo bem, que todos os dias falávamos por videochamada com os avós, os tios e os primos – quiçá vimo-nos muito mais e soubemos mais uns dos outros do que com as tradicionais visitas de domingo; que foste um bebé saudável e não tivemos de nos preocupar com as consultas que não estavas a ter; que os papás aprenderam a controlar os seus receios e a lidar com as incertezas dos tempos que se viviam e que juntos, com a tua mana, conseguimos aproveitar o melhor lado desta situação que se impunha: vivemos uns para os outros, construímos castelos de mantas, conhecemo-nos melhor e tornamo-nos profundamente cúmplices.

a mensagem que a mamã te quer deixar, do tempo em que nasceste, é que a vida por vezes pega-nos partidas inimagináveis e é a forma como lidamos com elas que nos trará angústia ou tranquilidade, tristeza ou felicidade.

durante uns tempos foste só nosso, fomos “apenas” uns para os outros, e assim … tornamo-nos os fantastic four!

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