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mami

viver | amar | sentir | pensar | lutar | conquistar | desafiar | refletir | descobrir | experimentar | partilhar | aprender | acreditar | sonhar * ser mãe sem me perder de mim *

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ser mulher continua a não ser fácil

reflexão sobre o dia da mulher

ser mulher continua a não ser fácil e não é um ramo de flores, descontos de 50% na newsletter de produtos de beleza ou a criação de um vinho rosé chamado woman que muda a situação – estes são apenas alguns exemplos com os quais fui confrontada nos últimos dias.

o dia internacional da mulher, cuja origem podem explorar aqui, mais não é do que a luta pelos direitos humanos, pela igualdade de oportunidades e pela não descriminação. parece coisa do século passado…e até é, pelo menos a criação da data, mas na verdade de forma mais ou menos explicita continua a ser necessário gritar a viva voz que ainda não são dados os mesmos direitos e oportunidades a mulheres e homens.

mas não é isso que me apraz explorar hoje. venho apelar à reflexão sobre como podemos andar (algumas de nós) perdidas com esta questão do ser mulher emancipada e moderna. sobre a nossa vontade de fugir de estereótipos e preconceitos relacionados com a beleza, com a inteligência, com a emotividade, com a independência, com a maternidade, com a capacidade de fazer isto ou aquilo (por uma questão de género)… e como podemos estar a oprimir quem nós somos ou quem nos educamos.

sem querer podemos estar a alimentar o preconceito por oposição. porque não aceitar que efetivamente podemos ser tudo, ou melhor que gostar de determinada coisa não implica não ser capaz de outra. será que não é possível ser-se engenheira aeroespacial, bonita e gostar de acompanhar o big brother?! ou ser esteticista, gostar de música clássica e ler saramago? ou optar por ser mãe a tempo inteiro, passar o dia a ouvir os caricas e à noite ver o national geographic? ou ser empreendedora, passar o dia em reuniões e à noite atirar-se no sofá, a ver qualquer coisa sem interesse real, a beber um copo de vinho enquanto afaga o seu caniche?

ser mulher não implica encaixar num padrão. assim como ser homem também não.

confesso-vos que muitas vezes sinto-me aprisionada por esta questão do ser mulher e não querer desonrar o género. mais ainda, desde que me tornei mãe, sinto o peso da responsabilidade da educação de uma futura mulher e de um futuro homem. e questiono muitas vezes se pelo peso cultural e emancipatório que carrego, não estarei a forçar em algumas coisas um caminho que poderá não ser o que eles naturalmente escolheriam. sei que faço bem em escolher os desenhos animados a que assistem, para que vão ao encontro dos princípios e valores que defendo. que abolir estereótipos de género como as cores que vestem ou as brincadeiras que fazem é o correto. mas será que se a miúda quiser fazer ballet eu devo conduzi-la para o salto em comprimento? ou se ele quiser fazer salto em comprimento eu o deverei conduzir ao ballet? se ela quiser ser educadora de infância a deverei conduzir para engenharia? se ele quiser estudar polímero dos materiais eu deverei sugerir design?

sei que não. que não tenho o direito de os usar como bandeira de nada. que só pensar nisto é alimentar o estereotipo e o preconceito. e é esta desconstrução que tem ainda um longo caminho a ser desbravado. sobretudo porque os extremismos estão ainda muito presentes.

este meu receio ilustra uma mulher independente, com um profissão que lhe dá uma vida confortável, e com gostos ecléticos, que não se sente ainda confortável com esta questão da igualdade de género, por não acredita nela, e que, de alguma forma, contribui para que esta continue a ser uma questão pelo seu comportamento de oposição muitas vezes desnecessário.

 

dia da mulher

 

sei que poderei recear a influência do contexto cultural e do contexto educativo fora do agregado familiar, mas que não tenho o direito de manipular ou castrar a minha filha ou o meu filho. viver a liberdade é mais difícil do que defende-la. porque a liberdade plena (caso exista) deverá ser desprovida de qualquer estereótipo, preconceito ou juízo de valor.

 

 

vermelho em belém

o estado da nação

e assim surgem campanhas fabulosas.

se até aqui as candidatas e os candidatos a belém contribuíam em larga escala para difundir a mensagem daquele senhor cujo nome não devemos pronunciar e a dar-lhe palco, agora foi a vez deste retribuir, sobretudo às senhoras candidatas (porque por muita pena minha - pela imagem que se configura divinal e não por opção política - o senhor do livre não publica uma foto com os lábios pintados de vermelho).

estas presidenciais têm sido uma surpresa para mim. tenho descoberto que tenho "amigos" no facebook dos quais me deveria despedir. o apoio a que tenho existido àquele candidato cujo nome não devemos pronunciar é relevante e a reprodução dos seus argumentos assustadora.

o seu discurso populista que vai ao encontro da raiva recalcada de alguns, dos medos de outros e da critica fácil de muitos, faz com que o discurso seja incorporado sem que seja questionado, sem que se averigue que propostas há para, de forma concertada, melhorar a situação de todos e de todas e combater as desigualdades....

ah, esperem! quais desigualdades?! a solução já foi apresentada: acabar com tudo e com todos (e todas)  os que chateiam, os que sujam a pintura e os que consomem demasiados recursos. quiçá possa surgir a brilhante ideia de criar uma estrutura em pleno oceano para evitar a "invasão" de “quem não interessa” - tipo uma barragem na qual tod@s os seres maiores que querem um portugal apenas para alguns, conjuntamente com esses alguns, se possam afogar nos seus egos.

nunca imaginei que discursos vazios de conteúdo e isentos de soluções pudessem atrair tanta gente; mas na verdade isto é reflexo da sociedade na qual se leem títulos sensacionalistas que se assumem como factos sem que se verifique a informação, ou sem que, pelo menos, se abra a notícia para se ler o seu conteúdo.

temo muito pela legitimidade que estas eleições possam trazer a estes loucos/as inconsequentes. e que de um povo pacato e amistosos de uma revolução com cravos, passemos a machistas, xenófobos/as, homofóbicos/as, opressores/as e agressores/as.

vermelho em belem

imagem retirada daqui

 

com este confinamento cujas medidas se estabeleceram ao jeito de dar jeito a diversas situações - da maria que vai casar no sábado; da margarida que não pode ficar com os filhos em casa porque tem de estar nas urgências do hospital; do jacinto que não tem onde deixar o mais novo para conseguir manter o seu restaurante, agora em takeaway, para tentar fazer face, pelo menos, às despesas fixas; do anacleto e da kelly que no dia 24 têm de dar um saltinho à mesa de voto para cumprir o seu direito e  dever cívico…-, num país onde a abstenção é (quase) sempre a vencedora, questiono quem vai sair para votar: serão os filhos de abril ou os que destilam fel?

 

casar? não, obrigada!

casamento? não, obrigada!

já fui uma princesinha que sonhava com o seu dia de reinado.

aos 20 anos já tinha tudo planeado.

aos 25 decidi avançar.

aos 26 dei por terminada tamanha loucura.

após decidir avançar com o casamento começamos a projetar o próximo ano: arranjar um espaço onde morar, organizar um casamento, preparar a viagem de lua de mel...

recém licenciados, o dinheiro era curto. um dia estávamos a discutir a aquisição de um LCD. eu estava a tentar ser racional e sugerir uma aquisição contida pois teríamos de ter também dinheiro para a nossa viagem. foi aí que o meu ex-mais-que-tudo assinou a sua sentença: "para que vamos gastar dinheiro indo para um lugar se podemos ter o mundo numa televisão top?" a imagem que tenho desse momento foi a de um cachorrinho que primeiro pasma e depois roda a cabeça para tentar compreender o que está a ser dito. após segundos desta postura canina argumentei "ver e viver são coisas completamente diferentes!". não obtive a compreensão que esperava sobre este assuno e ele também não.

este episódio não levou ao final da nossa relação, mas suscitou o principio do fim. nesta simples situação percebi que tínhamos visões diferentes do que queríamos para a nossa vida e passei a estar mais atenta a pequenas situações. por exemplo, eu trabalhava longe, fazia diariamente 120km para ir trabalhar. no final do primeiro ano decidi mudar-me para a localidade onde trabalhava - pela distância e pela necessidade do meu espaço, depois da faculdade foi muito difícil readaptar-me a viver em casa dos meus pais. o meu ex-mais-que-tudo para além de se opor - como se tivesse esse direito - ainda teve a lata de envolver os meus pais na confusão. esse foi o ponto final. e o pensamento: "como é que esta postura possessiva e redutora me passou ao lado ao longo de 5 anos de relação?" resposta imediata: 5 anos de faculdade e um namoro de fim-de-semana!

quando não há responsabilidades e decisões um relacionamento pode ser perfeito. quando se começa a perspetivar uma vida e a ser adulto começamos a perceber o que queremos e o que não queremos. e eu queria poder decidir o que era melhor para mim. fazer o meu caminho. atingir as minhas metas.

depois deste episódio não voltei a pensar em casamento. e que se entenda que não o digo com tristeza ou desilusão, mas sim com pragmatismo.

na minha vida adulta acompanhei muitos casamentos. vi muita coisa que me desagrada: dependência, possessividade, traição, submissão... assisti também a muitas coisas boas: cumplicidade, companheirismo, dedicação ... mas no fim o saldo nunca me convenceu, sobretudo quando entrava o divórcio e se descobriam obscuros, dívidas... e um rol de problemas.

claro que os prejuízos e benefícios das relações são semelhantes entre os casados e os que vivem em união de facto. a diferença é a facilidade com que podemos bater com a porta e tratar das questões legais. sei que é também esta diferença que pode levar a um investimento e entrega menor. mas é a procura do equilíbrio e da felicidade que guia a nossa conduta e as nossa decisões. lamento não acreditar no amor para sempre mas a vida mostrou-me que esse tem edição limitada e é só para os elegidos! 

a união de facto foi para mim uma excelente opção, assegurando os benefícios e limitando os riscos.

ontem voltei a pensar no casamento.

em conversa com uma mulher que muito admiro, viúva recente em que desconhecia a sua história, falou-me do marido, da sua doença e da luta de ambos. a determinado momento da conversa disse-me que passados 29 anos de viverem em união de facto decidiram casar. a razão? ela poder tomar decisões sobre a doença/tratamento do marido. referiu situações em que se sentiu posta de lado e ambos temeram que se ele perdesse faculdades eles deixariam de ser ouvidos. foi super engraçado ouvi-la a relatar o seu dia de casamento, com total despreendimento e como um processo administrativo e burocrático como tantos outros. não casou pela ilusão de uma amor, casou para ter a certeza que perante a lei poderia fazer o seu papel de cuidar e garantir os desejos de com quem construiu uma vida.

a união de facto é reconhecida pela lei, os direitos dos cônjuges estão assegurados, mas na prática ainda se encontram entraves e dificuldades ... pelo menos em meios mais pequenos.

 

diz-se que: mudam-se os tempos, mudam-se as vontades ... mudam-se as motivações. 

parto normal vs cesariana

antes de começar deixo a nota de que cada mulher é um ser único, sente e vive as coisas de uma forma muito pessoal. esta é a minha partilha pessoal de como vivi e senti cada um dos tipos de parto: primeiro uma cesariana de emergência e depois, passados 27 meses, um parto normal.

sou um ser mega cagufa, que não nutre simpatia alguma pela dor e que agradece a existência dos fármacos. na minha família as mulheres tiveram sempre partos complicados: pouca dilatação, episiotomia - corte no períneo-, extração com ventosas e/ou fórceps – tudo depois de muiiiitaaaasssss horas em trabalho de parto. dado este cenário sempre tive pavor de um parto normal.

durante as gravidezes tentei relativizar a questão do parto, visto ser uma inevitabilidade. no entanto, nas últimas semanas de gestação é quase impossível não pensar nesse momento. as aulas de preparação para o parto e parentalidade ajudam neste aspeto, vão tornando o momento gradualmente mais “real” e dão-nos a sensação que “não vamos às cegas” – embora em boa verdade vamos, porque dificilmente as coisas saem como “treinamos”.

na primeira gravidez embora estivesse tudo previsto para ser parto normal, como a minha princesa decidiu sentar-se, acabei por ser submetida a uma cesariana de emergência. confesso que tenho apenas flashbacks de todo o processo. tinha contrações regulares e intensas que tive de aguentar por mais 5 horas após entrada na maternidade - visto que para me ser administrada a epidural teria de ter um jejum de no mínimo 6 horas. após este período segui para o bloco de partos e lembro-me da paz que senti após a epidural (anestésica) começar a fazer efeito. lembro-me de ter rido após uma das enfermeiras me ter informado que me iam prender os pulsos  (fiquei como os braços abertos, tal qual cristo na cruz). a partir daqui pareceu-me tudo muito rápido. embora saiba que não foi. na minha ignorância eu achava que na cesariana era tudo muito simples: era abrir e tirar a bebé. no meu caso não foi assim tão simples, o médico teve de fazer algum esforço para conseguir tirar a bebé – até se via suor na tua testa! por duas vezes senti-me a “apagar” durante o parto, mas a anestesista, que foi a minha companhia durante todo o parto, era super atenta e profissional e resolveu sempre a situação. a bebé nasceu às 22h00. depois veio o segundo momento hilariante do parto: a aspiração. novamente não resisti a rir. senti-me como aqueles sacos de arrumação “a vácuo” onde se tira o ar com o aspirador, muito divulgados na televendas.

no dia seguinte senti a força da gravidade assim que pus os pés no chão, foi uma dor horrível e parecia que todos os meus órgãos estavam a ser puxados para o chão, nem conseguia endireitar as costas. rir, tossir, levantar, sentar, tudo doía, tudo o que implicasse esforço abdominal, mesmo estando sedada com morfina e posteriormente com um primo da morfina – abençoados fármacos! a cinta pós-parto dava algum conforto, parecia que mantinha “tudo” ali aconchegadinho. a primeira semana foi dura, na segunda foi melhorando. gradualmente tudo ficava mais fácil. tive muito cuidado para não fazer “asneiras” e ter uma boa recuperação.

na segunda gravidez, visto os partos ocorrerem num intervalo superior a 24 meses, o parto seria, à partida por via vaginal. confesso que o meu receio de um parto normal era tão grande que mantinha a esperança de uma segunda cesariana, mas tal não aconteceu. o meu príncipe nasceu por parto normal.

contrações fortes e ritmadas. percurso para a maternidade. internamento na maternidade à espera de alcançar 3 dedos de dilatação - sem atingir esse marco não nos levam para a sala de partos. 6 horas de contrações, com um analgésico injetável que em nada aliviou as dores, verificações pontuais da enfermeira para verificar a dilatação. na última verificação a enfermeira, não o dizendo, rebentou-me “o saco”, foi uma dor indescritível. confesso que chorei. já estava cheia de dores e aquele momento foi tão doloroso que já não aguentei e cedi. mas vá, a vantagem é que após esse momento fui para o bloco de partos. passado uma hora já estava com a epidural (analgésica) e tinha o meu companheiro a meu lado. agora era só esperar que o meu corpo cooperasse e se desse a dilatação. até deu para dormir uma soneca de tão maravilhosa que era a ausência de dor. passadas mais seis horas estava a dilatação feita, 10 dedos simpáticos! – na última hora houve a ajudinha da querida ocitocina.

a equipa foi super querida e simpática. sentia-me uma atleta olímpica com uma claque motivadora (sim porque o número de estagiários era significativo). não senti dor absolutamente nenhuma. senti, por vezes que não ia conseguir, porque ao fazer força não aguentava o tempo suficiente. mas lá consegui, com a ajuda de episiotomia. o bebé nasceu às 16h00. alguns aspetos menos simpáticos: sim, pode fazer-se coco em consequência da força; as hemorroides podem ser uma consequência pouco simpática e, tive o azar de que quem me deu os pontos da episiotomia foi uma médica estagiária (com pouco jeito) – não senti dor nenhuma era mais o stress de a ver a fazer e desfazer pontos com a orientação da médica sénior (já quase a bufar).

nessa noite quando me pus de pé não houve dor catastrófica. pensei que poderia ser de estar ainda sob o efeito da epidural. mas afinal não. no dia seguinte estava igual. tinha algum desconforto em consequência das hemorroides e dos pontos (nesta ordem), mas suportáveis e geríveis com paracetamol, ibuprofeno, creme e gelo. pude autonomamente tratar do meu bebé. podia rir - pese a fase que se estava a viver, embora o tossir não fosse agradável. a recuperação foi super rápida.

não haja ilusões: o parto implica dor, para quem aceitar os fármacos, a dor, à partida, poderá ser sentida antes e depois. para mim que tive uma cesariana de emergência, não prevista e tendo por isso sentido as intensas contrações, a única diferença entre os dois partos (ao nível da dor) foi a recuperação e, neste aspeto, prefiro sem dúvidas o parto normal.

o nosso receio da dor poderá faz-nos acreditar que a cesariana é mais simpática. mas é importante recordar que o parto não se resume ao momento do nascimento, há que enfrentar o depois … que dura mais tempo e, de certa forma, exige mais de nós.

parto normal vs cesariana

 

apelo ao equilíbrio

desafio de escrita dos pássaros #2.6

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a minha rotina matinal é simples: acordo, vou à casa de banho, tiro um café e ligo a tv para me inteirar de como vai o mundo.

hoje não foi diferente. confesso, no entanto, que o pensamento que me assolou assim que comecei a ouvir o pivô do canal do costume foi: "oh não, um vírus outra vez!"

não nego que um vírus altamente contagioso nesta altura é uma ideia que muito me agrade, no entanto todo o alarido que se cria à sua volta é o que mais me preocupa. o medo torna as pessoas irracionais, e os meios de comunicação social, numa ânsia de conquista de audiências, alimenta de modo feroz o medo das pessoas.

também não acredito que a desvalorização dos riscos reais seja a forma adequada de atuar - como fazem ao comparar o número de mortos por gripe, cancro ou ataques cardíacos. há riscos que devem ser controlados pelo bem de todos, numa postura cívica e de saúde pública.

o equilíbrio, nesta situação como em todas, parece-me a aposta certa. e como atingir esse equilíbrio?! com informação correta e adequada - quer pelas entidades competentes, quer pelos órgãos de comunicação social, quer por cada um de nós nas nossas interações sociais.

sejamos parte da solução é não do problema!

 

 

posições

quarta a noite chego a casa depois de uns merecidos dias de férias.

 

trato da pequena, deito-a.

 

vou buscar uns cereais e atiro-me no sofá.

 

ligo a televisão no sic notícias - apenas para conferir que o mundo está onde o deixei.

 

o.mais.que.tudo., munido de um grande hambúrguer, senta-se a meu lado (no parco espaço que lhe deixei).

 

na televisão estão 7 candidatos às europeias e um jornalista a moderar as intervenções.

 

ouvimos e vamos partilhando os nossos pontos de vista – sem grande garra, pois o cansaço da viagem faz-se sentir. mas sem conseguir contornar as posturas que toldam o nosso raciocínio e que nos põem em campos opostos na análise dos argumentos dos candidatos.

 

eu sou claramente de esquerda, ele de direita (sem extremos em nenhum dos lados). ele usa argumentos do género “já vistes quantas vezes o candidato do cdu diz trabalhadores no seu discurso?” “é só pedir, é só direitos, como querem usufruir sem se preocupar em criar riqueza?!” embora compreenda alguns dos seus argumentos - e os valide-, tentei que percebesse que se todos ganhássemos mais, se houvesse um menor fosso entre classes, haveria uma sociedade contributiva mais justas. “claro” – diz ele, “mas então que trabalhem, que produzam, que criem riqueza”, “que não parem o país com greves, que aproximem a exigência e a eficiência entre os setores público e o privado.”

 

mais argumentos se seguiram…

 

cansada e sem lhe querer dar grande razão, afundei-me no seu colo e adormeci.

 

eleições europeias

imagem retirada daqui

 

não comam os bebés desta mães

não tenho de o afirmar numa antecipada defesa, no entanto sinto essa necessidade.

quem passa por este espaço sabe que tenho uma visão inclusiva da sociedade. acredito na liberdade individual e na riqueza da diferença.

gosto de experimentar coisas novas e aprofundar visões alternativas sobre assuntos diversos.

neste manancial de experiências e pesquisas vou direcionando o meu caminho num processo constante. há um rumo baseado nos pilares da educação que recebi, há objetivos e responsabilidades assegurados, mas o meios para os atingir estão em aberto, sendo permeáveis a diversas influências.

não sou de modas. não uso, não faço, só porque os outros fazem ou porque alguém ditou uma tendência. mas vou sorver conhecimento e inspiração a essas tendências.

acredito que experimentando lá nos vamos encontrando.

mas neste processo todo há coisas que me irritam (profundamente), nomeadamente: os fundamentalismos.

que eu adore um bife de vaca, mal passado, acompanhado de um bom vinho tinto, não faz de mim herodes (vá, para fazer uma alusão à época em que estamos) que manda assassinar os bebés de belém para matar o messias recém-nascido.

eu não critico ou condeno quem não coma carne. respeito os valores e as crenças de quem opta por essa opção. espero o mesmo respeito. e não que me tentem “evangelizar” levando-me a ver o caminho errado que percorro - pecadora que sou já me fustiguei com 20 chicoteadas esta manhã...só para criar crédito para os pecados do dia  )

 

exageros

 

imagens como estas irritam-me. comparar uma relação humana de mãe e filha com a mesma relação nos animais é patética (com ressalva para algumas espécies).

“não comam os bebés desta mães”?! wtf?! sou tolerante…mas não abusem!

apetece dizer: não comam as mães destes bebés! - referindo-me à espécie humana 

 

bem já desabafei...vou lavar roupa.

a greve das greves

nos últimos dois anos as greves foram muitas. muita gente zangada com o governo, com as normas europeias, com bancos ou multinacionais.

muitas pessoas indignadas com as greves no setor da saúde (nas quais me incluí).

mas nunca antes uma greve com a capacidade imobilizadora da greve em curso dos motoristas de transporte de mercadorias perigosas.

greve dos motoristas de transporte de mercadorias perigosas

 

estes senhores, podem sim parar o país! os combustíveis – como há muito sabemos pelas guerras, guerrinhas e guerronas entre países para dominar os territórios com extração de crude -, podem parar tudo: transporte, comércio, turismo, restauração, … saúde, segurança e transportes públicos e aéreos é que parece que não porque o governo bateu com o punho na mesa, mas calma, há serviços que podem parar por falta de funcionários… tirando as grandes cidades não há redes de transporte público que permitam as pessoas se deslocarem aos seus empregos (choquem-se, mas é verdade!), por isso, sem combustível muitos ficarão sem forma de se deslocar.

esta greve, pode mesmo fazer “dói dói” e encurralar os senhores que mandam! vamos lá ver no que isto vai dar.

a sorte é que vêm aí 3 para uns, 4 para outros, nenhum para alguns, dias de descanso que atenuam um pouco a sensação de calamidade desta greve. vamos ver como isto está depois de comidas as amêndoas e beijada a cruz. aleluia, aleluia!

 

 

para desanuviar não se esqueçam de participar no passatempo para ganhar um livro e um kit de material de desenho/pintura.

mercure figueira da foz - uma desilusão

detesto escrever sobre desilusões, sobretudo por isso implicar que houve algo que não me fez feliz.

estive recentemente, por motivos profissionais, na figueira da foz. foi uma viagem curta, o tempo livre para lazer não era muito pelo que a escolha do hotel teve como critérios primordiais o preço e a localização.

depois de alguma pesquisa optei pelo mercure figueira da foz. um hotel 4 estrelas em frente ao mar, a um preço razoável. optei por pagar um pouco mais para poder ter o quarto com vista mar (quando o tempo é pouco a vista ajuda a aproveitar o que o local nos proporciona).

 

na escolha do quarto esta é a fotografia que o site me apresenta: 

 

mercure figueira da foz desilusão

 

 

este foi o quarto que me atribuiram

mer fig foz.jpg

 

vamos lá fazer um jogo: encontre as 8 diferenças!

e ganhe uma grande banhada!

(sei, a luz é diferente...nem a beleza do pôr-do-sol faz milagres!)

 

para além de o quarto nada ter a ver com o que foi pago, embora tenha de admitir a vista mar, os vidros estavam de tal forma sujos que mar se podia apreciar a tal vista.

 

tenho de confessar que o que mais me incomodou foi o aspeto descuidado do quarto, que a nível do material e equipamentos, quer ao nível da limpeza.

mercure figueira da foz nunca mais

 

com os nervos esqueci-me de tirar fotografias à casa de banho, mas acreditem que é na mesma linha do que aqui vêm.

 

outra das maravilhas deste alojamento foi trazer-me o que há muito não ouvia: as cambalhotas dos vizinhos. obrigadinha pelo áudio-porno ao vivo. tão vivido que me acordou e me fez questionar, na loucura de quem está semi-acordado, se estariam no mesmo quarto que eu! (parabéns ao protagonista que me deixou com certa inveja de seu par).

 

 

 se forem à figueira da foz, ponderem bem as vossas alternativas de alojamento. certamente que por 60€/noite, arranjam melhor.

este hotel de 4 estrelas, não faz jus a tal categoria.

 

o hotel veste-se muito bem - lembrou-me a minha mãe a falar de algumas pessoas que são só aparência.

mercure figueira da foz, não!

 

estas fotografias são da entrada do hotel e espaços comuns… nada têm a ver com o quarto. vestem-se de pele e vendem plástico!

 

um aspeto positivo a realçar, o único, é a simpatia dos funcionári@s.

 

 

 

happy by zippy gerador de ódio

sendo hoje dia das mentiras, não trago uma mentira, mas algo que eu desejava que o fosse.

 

happy by zippy

imagens da zippy

 

na semana passada, após o meu post onde fiz um apelo ao respeito pela diversidade, deparo-me com a “polémica” que rodeava a marca de vestuário infantil zippy.

confesso que pensei: o mundo enlouqueceu!

mas eu sei onde tudo isto começou! sei sim…foi naquela desvairada da chanel, a coco para os amigos, que se lembrou em pleno século xx que as mulheres também haveriam de vestir calças!

e anos mais tarde, era eu já nascida e integrava a geração x, a loucura quando a calvin klein, para além de roupa, lança o perfume “one”- um perfume que dava para ela e para ele.

 

 

“credo” para além de podermos usar a mesma roupa…vamos cheirar igual?!...como nos reconhecemos nos escuros cinemas?!

mas isto não fica por aqui. não! os primeiros a atacarem as crianças foram os italianos. aqueles para os quais estamos todos unidos pelas cores…sim esses, os da benetton.

e mais haveria a acusar.

eu na minha fase grunge que andava vestida de preto e cinzento de pés à cabeça…comprava o que conseguia e me desse o ar mais triste e zangado possível – para além de procurar na roupa “antiga” de pais e avós  (com a quele ar gasto e velho). usava roupa de homem ou mulher ou o que me parecia a maior parte das vezes, sem género. mas vá pelo menos não usava aquelas cores lgbt!

e agora que sou mãe, sou uma nódoa. fiquei chateada quando no dia das bruxas a minha filha trouxe um chapéu de bruxa cor-de-rosa, por ser cor de menina. raios só eu é que vejo que o chapéu das bruxas é preto?! vá, quanto muito roxo. esperem, roxo não, porque está associado aos gays. e, eu mami, terei também de assumir que a minha filha usou muita roupa dos primos, tem um camião, comprei-lhe umas botas unisexo iguais às do primo e quase não usa ganchos ou bandoletes. sim, repetidas vezes nos questionam: é menina ou menino. também veste saias e vestidos. veste rosa, branco, azul, amarelo, verde, preto, cimzento...

as contradições da vida são uma seca.

esta história da zippy irrita-me porque os comentários são de uma intolerância brutal (em ambas as partes – os a favor e os contra a marca). há generalizações que podem ser ofensivas para muitas pessoas que não se revêm nas criticas feitas à marca (muitas ligadas com a igreja católica ou as famílias numerosas). uma tragédia clássica.

ao ler alguns comentários não pude deixar de recordar a audível afirmação da ministra brasileira da mulher, família e direitos humanos do governo de bolsonaro a gritar  “menino veste azul e menina veste rosa”.

 

 

 

não sei se acompanharam a polémica no facebook, mas se não o fizeram deixo aqui o best off 

frases de ódio "preferidas":

“ou retiram a campanha ou perderão milhares de clientes porque não vamos parar em denunciar a zippy!
um pedido de desculpas e defenderem publicamente a família matriz judaico-cristã no mínimo!”

“vocês são uma empresa capitalista, impressionante, como mesmo assim apoiam o socialismo e os seus projectos.”

“nunca mais... só de ver a marca já me dá asco!!!!”

“zippy é a este tipo de pessoas que estão a tentar agradar? pessoas que dificilmente terão filhos? óptima estratégia de negócio”

“eu não compro mais nada nas vossas lojas, tenho 2 filhas e irei continuar a comprar roupas de menina, são as minhas princesas, nunca o deixarão de o ser.”

“família só existe uma, constituída por um homem + uma mulher e respectivos filhos.”

“caro designer, o belo está na diferença, nunca na igualdade!”

“as crianças que vestirem isto, estão descaradamente a fazer ativismo. serão 'peões' num jogo de 'xadrez' de ativismos radicais, como o lgbti”

 

os defensores da marca:

“o mais engraçado é que essas pessoas têm filhos todos corridos com nomes com maria como segundo nome. não estou a perceber, defendem que um rapaz é um rapaz e uma rapariga é uma rapariga, e metem maria num nome de um rapaz?”

“um minuto de silêncio por todas estas pessoas indignadas que em 2019 tomaram conhecimento pela primeira vez na vida que existe roupa unissexo... o drama! o horror!”

“gostava de fazer aqui uma denúncia pública. fui violentada pela minha família que, nos anos 80 e 90, me obrigaram a vestir as roupas masculinas herdadas dos meus primos mais velhos. fui torturada e usada num esquema caseiro de pró-activismo lgbt.”

"na vá o diabo tecê-las e ao vestir uma roupinha daquelas,(que até são giras), virar gay!! nunca se sabe."

 

há muito mais para ler, mas o tempo (e a paciência em boa verdade) não é muito. deixo aqui o link do facebook caso queiram ir ver as maravilhas que o ser humano consegue dizer.

 

em jeito de resumo, algumas notas importantes:

- não podemos usar as cores do arco iris para nada que não se refira à comunidade lgbt;

- a zippy é uma marca tão poderosa que tem a capacidade de confundir a cabeça das crianças e criar dúvidas sobre o seu género ou a sua orientação sexual (afinal a orientação sexual já não é uma doença, agora é uma moda – receio o que virá no futuro para justificar esta situação do demónio);

- a zippy está muito triste e preocupada com este bost de publicidade! (hoje tinham, no post de divulgação da coleção 3,5 mil comentários e 943 partilhas)

 

 

para terminar esta minha reflexão deixo um excelente trecho de um comentário ao referido post que entra em defesa da marca e contra a ignorância apresentada em alguns comentários “vão estudar noções básicas de desenvolvimento infantil primeiro, a seguir leiam um bocadinho sobre identidade de género ou então não leiam nada e vão descarregar as vossas frustrações num saco de boxe. deixem as crianças em paz. “ amém!

 

 

 

 

 

 

 

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