"você envolve-se romanticamente com alguém, mas passados seis meses conclui que precisa de terminar a relação. tendo a certeza de que a pessoa se iria suicidar se a deixasse, e tendo também a certeza de que nunca seria feliz com ela, o que faria?"
a mami responde:
esta parece, à partida, uma questão exagerada, mas a verdade é que já tod@s (penso eu de que) ouvimos histórias de pessoas que ameaçaram por termo à vida se @ outr@ @ deixasse - e embora se pense, viva o preconceito, que estas situações são “coisas de gaja”, tenho a dizer que nas duas situações que conheço partiu de gajos.
escolho as perguntas do livro que me obrigam a pensar. esta despertou a minha reflexão. não tem uma resposta inconsequente. e faz-nos pesar vários aspetos.
em primeiro lugar temos de perceber se a pessoa que pretendemos despachar seria ou não capaz desse ato. na dúvida, dar a lei da vantagem e acreditar que sim.
depois devemos refletir sobre a nossa capacidade de lidar com um possível sentimento de culpa, que pode surgir se o desgraçado bater a bota. eu, por exemplo, tenho muitos problemas a lidar com a culpa (a real e a imaginada – raios para a educação católica da culpa e do castigo que me foi incutida!).
numa situação paralela ponderar a vida que teremos ao lado de alguém com quem ficamos apenas por medo das consequências de tomar a decisão que desejamos. conhecendo-me, tornaria a minha vida e a do desgraçado uma tortura.
dada esta breve análise da situação, o desgraçado acabaria por suicidar-se de qualquer maneira. por isso, se desvaloriza tanto a sua vida, não vale a pena estarmos a empatar-nos uma ao outro!
“acredita em fantasmas ou espíritos maléficos? estaria disposto a passar uma noite numa casa isolada, supostamente assombrada?”
a mami responde:
esta é uma daquelas questões difíceis de responder sem parecer anormal. qualquer intelectualoide afirmará a pés juntos que os fantasmas não existem. bem, eu não consigo ter essa certeza – o que me consagra, à partida, para o lugar das pessoas com um desenvolvimento intelectual e cultural menos evoluído.
cresci numa família católica numa aldeia perdida do centro do país. cresci ouvindo relatos das visitas das pessoas aos espíritas para saber somo estavam as almas que tinham partido. ouvi relatos de pessoas que falavam com os seus entes queridos, através da sra espírita – afirmando que estavam lá os jeitos de falar do defunto, ou a voz ou o olhar. as pessoas muitas vezes saiam destes encontros com uma lista de promessas que o falecido não tinha cumprido em vida e que a família teria de cumprir para a alma poder “ir em paz”. recordo também histórias de almas perdidas que não aceitavam a morte e que andavam por aí, irritadas, a fazer “mal” às pessoas, era preciso acalmar a sua alma.
bem, como podem imaginar, com coisas tão presentes - embora racionalmente saiba que muitas destas coisas podem não ser verdade e que há factos que as desmentem-, fica sempre aquele “ e se”. em pequena houveram fases em que não me deitava antes de abrir o roupeiro e espreitar debaixo da cama e atrás dos cortinamos – borradinha de medo dos espíritos que por lá poderiam estar, mesmo em pequena os monstros que me aterrorizavam eram humanos.
perante este cenário não sei bem no que acredito, mas não nego taxativamente a existência de “fantasmas”, “almas penadas” e afins.
claro que esta questão levar-nos-ia a uma reflexão mais prolongado sobre o que acreditamos relativamente ao pós-morte. em relação a esta questão, intimamente ligada à religião, já vi pessoas a passarem de um estremo ao outro quando imersas em situações de doença ou perda.
resumindo: sim, acredito em fantasmas (que não têm de ser maléficos) e não, nada de pernoitar, lanchar ou passear em casas “assombradas”.