to be or not to be
- mais uma passagem de ano, mais uma quantas resoluções.
entre as do costume: fazer mais exercício, começar uma dieta, ter mais tempo para os amigos, inscrever-me num curso … surgiu uma nova: a possibilidade de uma criatura.
há muito que me questiono se a maternidade faz parte do meu caminho. se tenho vontade de abdicar de um conjunto de privilégios que as pessoas sem criaturas gozam. se terei “jeito” para educar a criatura. se terei estofo para a desilusão se ela não for boa pessoa. se tenho maturidade para lidar com os meus medos e inseguranças. se a minha relação, ainda jovem, tem estrutura suficiente para a parentalidade.
sei do crescente número de gravidezes tardias. a minha preocupação não se prende com o agora (no amanhã ou depois), mas com o de aqui a uns anos, quando a criatura tiver 10 anos e eu 50 (idade, vamos assumir, para ser uma avó estilosa). ela 20 e eu 60… ela a entrar para a faculdade e eu para a reforma! tera ela possibilidade de desfrutar dos seus avôs? terei eu possibilidade de desfrutar de meus “hipotéticos” netos?
há muito tempo que penso noutro “se” … se não avançar irei, na análise que todos iremos fazer à nossa vida, ter esse arrependimento?
um dos grandes problemas de ter adiado a maternidade é ter tido muito tempo para pensar em todos os cenários possíveis e … criatividade para criar uns quantos alternativos.
toda esta perspetiva é um processo individual. o meu master cheff é de cabeça muito mais livre. perante o turbilhão da minha mente ele pacificamente diz: “ eu quero ser pai, se tu também quiseres, vamos ver o que acontece”. simplex.
Mas a questão mantém-se: eu quero?



