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mami

viver | amar | sentir | pensar | lutar | conquistar | desafiar | refletir | descobrir | experimentar | partilhar | aprender | acreditar | sonhar * ser mãe sem me perder de mim *

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carta a um pai ausente

sei que os tempos eram outros.

sei que não tínhamos muito dinheiro.

sei que querias dar-nos o melhor.

hoje olho para trás e questiono:  terá valido a pena?

é verdade que conseguiste que os teus filhos estudassem - os primeiros na família a terem um curso superior.

é verdade que tens filhos trabalhadores e íntegros.

é verdade que tens três filhos que te amam e admiram.

mas… terá valido a pena?

quando era pequena apenas te via nas tardes de domingos, sais para trabalhar e regressavas e eu a dormir. gostava que estivesses estado mais presente, gostava de te ver ao acordar e de ter um beijo de boa noite.

é incrível como uma pessoa tão ausente tinha tanto peso nas minhas ações, na minha educação. nunca me assentaste uma palmada, mas assim que levantavas o tom de vós as lágrimas surgiam. lembro-me que quando a mãe me ameaçava com “contar ao pai” eu ficava logo em sentido, e ao contrário do que a mãe pudesse pensar, não era por ter medo de ti, era por receio de te desiludir.

cada momento contigo valia ouro. como nunca te tinha, quando te tinha sentia-me a dona do mundo.

todas as minhas decisões, todo o desenho do meu percurso foi no sentido de ir ao encontro das tuas espectativas … era o mínimo que eu podia fazer para agradecer todo o teu esforço.

todos aqueles anos de trabalho extremo, fazem-se sentir agora no teu corpo. és jovem, mas o teu corpo foi muito maltratado. agora tens tempo para aproveitar a família, para brincar com os teus netos …mas as dores assombram-te.

questiono: terá valido a pena?

hoje, enquanto escrevo este texto e as lágrimas escorrem-me pelo rosto, sei que não poderia ter sido doutro modo. sinto-me mimada e ingrata ao cobrar-te a tua presença.

depois de tudo o que fizeste para me dar “tudo”, depois de tudo o que abdicaste, não tenho o direito de te questionar; fizeste o que consideraste melhor e fizeste-o tão bem que mesmo na tua ausência foste o princípio estruturante da minha personalidade. devo-te tanto, devo-te tudo.

respondo agora: sim, valeu a pena.

sei que olhas para nós e o teu coração enche-se de orgulho.

obrigada pai pela tua presença mesmo na tua ausência.

carta a um pai ausente

imagem retirada daqui

3 meses já passaram

olho para trás e lembro-me - como se tivesse há muito tempo-, das noites constantemente interrompidas - pelo choro, pela fome, pelo meu receio de algo não estar bem; dos dias de desespero pelo constante bolçar, pelas duras cólicas, pela rotina que esmaga - no final do dia sabemos que no dia seguinte tudo será igual.

olho para a minha princesa guerreira e penso o quanto evoluímos.

a minha menina já dorme mais pelas noites, não sofre de tantas cólicas e fica menos aflita ao bolsar; eu, estou menos insegura, menos ansiosa ao lidar com os "novos" desafios que vão surgindo – isto de ser mãe é uma roda viva!

neste período tive muitas dúvidas, que geraram inseguranças. se a maternidade é instintiva eu devo ter tido uma falha qualquer na programação do meu software. ou, quiçá, a maternidade era instintiva antes do surgimento da internet, antes das diversas teorias e correntes sobre como fazer cada – pequena - coisa, antes d@s nossas amig@s e conhecid@s (que têm sempre uma palavra a dizer) terem a solução ideal para cada situação – pena que por vezes sejam contraditórias.

houve alturas em que perante diversas opções me senti – quase - impossibilitada de tomar uma decisão sobre o que seria melhor para a catraia; a insegurança ia aumentando e a ansiedade começava a instalar-se.

a médica de família disse-me na primeira consulta: "você vai ouvir muita coisa, mas lembre-se sempre que você é que é a mãe da menina e sabe o que é melhor para ela" – sendo isto verdade, porque mui3 meses já passaramtas vez

es não soube? Dizerem-nos estas coisas e dão-nos uma responsabilidade avassaladora.

Por parvo que pareça foi ao ouvir um anúncio da dove "não existem mães perfeitas", que pus os pés no chão e percebi que só conseguiria manter a sanidade mental se começasse a confiar mais em mim e a aceitar, como normais, as minhas inseguranças e as minhas falhas.

sou hoje uma mulher diferente da que era há 3 meses atrás. Descobri uma fragilidade e uma força que desconhecia ter. descobri a calma e a paciência. (re)descobri que tudo passa: os choros intermináveis, as noites sem dormir, o receio na hora do banho, ... mas lembrei que as coisas boas também passarão - aquele momento único da amamentação, aquele corpinho todo enroscadinho nos nossos braços, aquele olhar que nós diz que somos o seu mundo...

 

uma vez mais, ponho os pés no chão e constato que não há felicidade sem perdas ou dor sem alegrias.

 

 

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