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mami

viver | amar | sentir | pensar | lutar | conquistar | desafiar | refletir | descobrir | experimentar | partilhar | aprender | acreditar | sonhar * ser mãe sem me perder de mim *

viver | amar | sentir | pensar | lutar | conquistar | desafiar | refletir | descobrir | experimentar | partilhar | aprender | acreditar | sonhar * ser mãe sem me perder de mim *

os sites de compras que me têm safado durante a quarentena

estamos oficialmente há 35 dias em casa (eu, ele e as crias). neste período não saímos absolutamente para nada – excetuando para por o lixo no contentor. ter (quase) tudo o que precisamos sem sair de casa só é possível graças aos comerciantes que fazem entregas em casa.

há muito que faço compras online – de quase tudo, mas nunca me foi tão necessário como agora!

assim que ficamos em casa comecei a organizar a despensa, o frigorífico e o congelador para criar uma estratégia de consumo inteligente. avançamos para a lista de compras e ‘bora lá fazer a encomenda online.

avancei para o intermarché loja online, onde tinha feito compras recentemente, e fiquei a saber que tinham interrompido as entregas ao domicílio durante esta fase. tentei, então, encomendar no continente online - tinha uns vales e um valor em cartão-, desisti ao constatar que a primeira data disponível para entrega era passado um mês e meio (final de abril). o el corte inglês não dispunha datas de entrega (nenhuma!). a única grande superfície que tinha entrega disponível para a minha zona de residência, para a semana seguinte, era o auchan – fazer a encomenda foi doloroso devido ao grande trafego no site; tenho feito compras quinzenais neste site e tem corrido tudo bem – embora hajam produtos esgotados no momento da encomenda e no da entrega – por isso é sempre uma surpresa quando as coisas chegam…ou não a casa. o meu obrigada ao auchan por ter consigo dar resposta aos seus clientes, mesmo aqueles que não estão nos grandes centros urbanos.

a nível alimentar uma horta e um talho local – com entregas semanais - satisfazem a nossa necessidade desses produtos frescos (adoro, e valorizo, quando as lojas se reinventam).

uma loja online - que descobri neste período de quarentena -, que me fascinou foi a sabores a granel – uma mercearia moderna com produtos de qualidade e na quantidade que desejarmos; adorei a originalidade de alguns produtos (beterraba em pó, banana em pó, tomate em pó, …) e as suas sugestões de utilização, bem como as receitas no blog da loja.

 

compras na quarentena

 

outro bem essencial para quem tem príncipes e princesas em casa, são os produtos de higiene e puericultura (fraldas, toalhetes, cremes, soro, biberons, …). continuei a fazer compras no mifarma - meu site habitual para estes produtos-, a minha pequena tem pele atópica e os produtos não são baratos, mas neste site encontram-se excelentes oportunidades.

se precisarem, estes sites estão disponíveis para vos ajudar nesta fase – não, não há aqui nenhum tipo de publicidade paga, há apenas o reconhecimento de bons serviços, produtos e preços 

atualizem-me, por favor!

acordo à hora do costume - o meu despertador vintage com ponteiros luminosos é das poucas peças que trouxe de casa dos meus pais. carrego no interruptor, mas o quarto não se ilumina. levanto-me caminho “aos apalpões”. chego à casa de banho e aqui, também, a lâmpada nega-se a sorrir. vou à primeira gaveta do móvel à entrada da cozinha, onde penso ter guardado uma lanterna – cheguei lá apenas com um incidente com o vaso do corredor e um ligeiro surfar no tapete da entrada. abro a gaveta, apalpo e encontro a dita cuja, começo a dar ao dínamo – esta é de sobrevivência e ecológica. ilumino o caminho até ao quadro elétrico. verifico e está tudo bem. será que não paguei a conta?! toina, claro que pagaste…tens débito direto dahhhh. será que tenho dinheiro na conta?! bem… penso que sim!

e assim, num ápice, caio em mim. se não há eletricidade, não há internet. não há televisão, nem rádio! como vou eu saber do mundo?! comunicar com o mundo?! eu bem sabia que devia ter resolvido a questão do telemóvel. mas estando em casa e constantemente ao computador, comunicando com todos por meios digitais, fui sempre adiando. e agora…estou isolada!

 

angústia

imagem retirada daqui

 

não posso sair de casa, não tenho telemóvel nem eletricidade. começo a sentir-me ansiosa. angustiada. não consigo parar de andar de um lado para o outro. estou demasiado agitada, não consigo acalmar. sinto que o mundo pode estar a desabar e eu sem nada saber! respiro fundo, tento lembrar-me do curso de meditação que fiz (e que nunca consegui aplicar no meu dia-a-dia). nada funciona. sinto-me a sufocar. apetece-me gritar mas a voz não sai. começo a sentir tremores frios. aprisiono-me nos meus braços mas a calma não chega. vou a janela, respiro profundamente, o ar “dói” ao entrar-me nas narinas. as ruas estão desertas. fecho os olhos, encosto-me a parede e deixo-me cair lentamente até me sentar no chão. fico assim, estática, até que ouço um ruído que reconheço bem: o ruido do modem quando está a ligar. voltou! estou de novo ligada ao mundo. corro para o computador, ligo-o e entro na minha rede social que me questiona: “em que está a pensar, mami?” eu, ainda emocionada, consigo apenas escrever: “atualizem-me, por favor!”

após publicar a minha mensagem, olho para o canto inferior direito do meu computador e verifico que passaram apenas 15 eternos minutos desde que acordei. 15 longos e dolorosos minutos de isolamento social!

bolo da páscoa - receita

o período de quarentena tem desenvolvido em mim uma forte apetência pela arte culinária e pela sua degustação. razões pelas quais prevejo que a mesma acabe comigo uma expert em padaria e pastelaria e com mais 10kg neste singelo mas nunca magro albergue da minha alma.

porque sei que não estou sozinha nesta viagem partilho convosco uma receita de bolo da páscoa. para os locais onde a páscoa é comemorada à segunda ainda vou a tempo, se não for o caso, fica a certeza de que para o ano a páscoa volta!

 

bolo da páscoa

 

bolo da páscoa

(receita para dois pães)

ingredientes

1kg de farinha de trigo

200g de açúcar

125g de manteiga

30g de fermento de padeiro fresco ou 1 saqueta de fermento seco (11g)

10 ml de vinho do porto

9 ovos

casca de meio limão

1 pau de canela

1/2 colher de café de sal fino

1/2 chávena de água

 

preparação

1 - derreta a manteiga com a casca de limão e o pau de canela em lume brando. quando estiver derretida acrescente o vinho do porto e deixe apurar em lume brando (sem deixar ferver). retire do lume e deixe arrefecer até a mistura ficar morna.

2 - misture numa taça grande a farinha, o açúcar, o fermento e o sal. adicione a água e a mistura da manteiga. amasse bem com as mãos e vá acrescentando os ovos. amasse até obter uma massa homogénea e conseguir fazer uma bola. coloque a bola no centro da taça.

3 - deixe repousar a massa, tapada, num local quente por aproximadamente 3 a 4 horas.

4 - passado o referido tempo a massa terá crescido significativamente. amasse de novo e divida a massa em dois. faça dois bolos e deixe repousar na forma, sobre papel vegetal durante mais 15m.

5 - coloque no forno pré-aquecido a 200º por cerca de 20 min (poderá precisar de mais consoante o forno, vá verificando com o palito, se estiver a queimar por cima tape com papel alumínio).

 

- fica uma delícia -

no entanto o aspeto deveria ser este:

folar da páscoa

há uns aspetos a rever no acabamento 

 

deixo também aqui a inspiração do coelhinho que decora o bolo (feito com a bela mão da minha princesa )

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parto normal vs cesariana

antes de começar deixo a nota de que cada mulher é um ser único, sente e vive as coisas de uma forma muito pessoal. esta é a minha partilha pessoal de como vivi e senti cada um dos tipos de parto: primeiro uma cesariana de emergência e depois, passados 27 meses, um parto normal.

sou um ser mega cagufa, que não nutre simpatia alguma pela dor e que agradece a existência dos fármacos. na minha família as mulheres tiveram sempre partos complicados: pouca dilatação, episiotomia - corte no períneo-, extração com ventosas e/ou fórceps – tudo depois de muiiiitaaaasssss horas em trabalho de parto. dado este cenário sempre tive pavor de um parto normal.

durante as gravidezes tentei relativizar a questão do parto, visto ser uma inevitabilidade. no entanto, nas últimas semanas de gestação é quase impossível não pensar nesse momento. as aulas de preparação para o parto e parentalidade ajudam neste aspeto, vão tornando o momento gradualmente mais “real” e dão-nos a sensação que “não vamos às cegas” – embora em boa verdade vamos, porque dificilmente as coisas saem como “treinamos”.

na primeira gravidez embora estivesse tudo previsto para ser parto normal, como a minha princesa decidiu sentar-se, acabei por ser submetida a uma cesariana de emergência. confesso que tenho apenas flashbacks de todo o processo. tinha contrações regulares e intensas que tive de aguentar por mais 5 horas após entrada na maternidade - visto que para me ser administrada a epidural teria de ter um jejum de no mínimo 6 horas. após este período segui para o bloco de partos e lembro-me da paz que senti após a epidural (anestésica) começar a fazer efeito. lembro-me de ter rido após uma das enfermeiras me ter informado que me iam prender os pulsos  (fiquei como os braços abertos, tal qual cristo na cruz). a partir daqui pareceu-me tudo muito rápido. embora saiba que não foi. na minha ignorância eu achava que na cesariana era tudo muito simples: era abrir e tirar a bebé. no meu caso não foi assim tão simples, o médico teve de fazer algum esforço para conseguir tirar a bebé – até se via suor na tua testa! por duas vezes senti-me a “apagar” durante o parto, mas a anestesista, que foi a minha companhia durante todo o parto, era super atenta e profissional e resolveu sempre a situação. a bebé nasceu às 22h00. depois veio o segundo momento hilariante do parto: a aspiração. novamente não resisti a rir. senti-me como aqueles sacos de arrumação “a vácuo” onde se tira o ar com o aspirador, muito divulgados na televendas.

no dia seguinte senti a força da gravidade assim que pus os pés no chão, foi uma dor horrível e parecia que todos os meus órgãos estavam a ser puxados para o chão, nem conseguia endireitar as costas. rir, tossir, levantar, sentar, tudo doía, tudo o que implicasse esforço abdominal, mesmo estando sedada com morfina e posteriormente com um primo da morfina – abençoados fármacos! a cinta pós-parto dava algum conforto, parecia que mantinha “tudo” ali aconchegadinho. a primeira semana foi dura, na segunda foi melhorando. gradualmente tudo ficava mais fácil. tive muito cuidado para não fazer “asneiras” e ter uma boa recuperação.

na segunda gravidez, visto os partos ocorrerem num intervalo superior a 24 meses, o parto seria, à partida por via vaginal. confesso que o meu receio de um parto normal era tão grande que mantinha a esperança de uma segunda cesariana, mas tal não aconteceu. o meu príncipe nasceu por parto normal.

contrações fortes e ritmadas. percurso para a maternidade. internamento na maternidade à espera de alcançar 3 dedos de dilatação - sem atingir esse marco não nos levam para a sala de partos. 6 horas de contrações, com um analgésico injetável que em nada aliviou as dores, verificações pontuais da enfermeira para verificar a dilatação. na última verificação a enfermeira, não o dizendo, rebentou-me “o saco”, foi uma dor indescritível. confesso que chorei. já estava cheia de dores e aquele momento foi tão doloroso que já não aguentei e cedi. mas vá, a vantagem é que após esse momento fui para o bloco de partos. passado uma hora já estava com a epidural (analgésica) e tinha o meu companheiro a meu lado. agora era só esperar que o meu corpo cooperasse e se desse a dilatação. até deu para dormir uma soneca de tão maravilhosa que era a ausência de dor. passadas mais seis horas estava a dilatação feita, 10 dedos simpáticos! – na última hora houve a ajudinha da querida ocitocina.

a equipa foi super querida e simpática. sentia-me uma atleta olímpica com uma claque motivadora (sim porque o número de estagiários era significativo). não senti dor absolutamente nenhuma. senti, por vezes que não ia conseguir, porque ao fazer força não aguentava o tempo suficiente. mas lá consegui, com a ajuda de episiotomia. o bebé nasceu às 16h00. alguns aspetos menos simpáticos: sim, pode fazer-se coco em consequência da força; as hemorroides podem ser uma consequência pouco simpática e, tive o azar de que quem me deu os pontos da episiotomia foi uma médica estagiária (com pouco jeito) – não senti dor nenhuma era mais o stress de a ver a fazer e desfazer pontos com a orientação da médica sénior (já quase a bufar).

nessa noite quando me pus de pé não houve dor catastrófica. pensei que poderia ser de estar ainda sob o efeito da epidural. mas afinal não. no dia seguinte estava igual. tinha algum desconforto em consequência das hemorroides e dos pontos (nesta ordem), mas suportáveis e geríveis com paracetamol, ibuprofeno, creme e gelo. pude autonomamente tratar do meu bebé. podia rir - pese a fase que se estava a viver, embora o tossir não fosse agradável. a recuperação foi super rápida.

não haja ilusões: o parto implica dor, para quem aceitar os fármacos, a dor, à partida, poderá ser sentida antes e depois. para mim que tive uma cesariana de emergência, não prevista e tendo por isso sentido as intensas contrações, a única diferença entre os dois partos (ao nível da dor) foi a recuperação e, neste aspeto, prefiro sem dúvidas o parto normal.

o nosso receio da dor poderá faz-nos acreditar que a cesariana é mais simpática. mas é importante recordar que o parto não se resume ao momento do nascimento, há que enfrentar o depois … que dura mais tempo e, de certa forma, exige mais de nós.

parto normal vs cesariana

 

não tenho tempo para vos aturar

quer dizer, tempo até tenho, mas paciência…  ai que essa está com as reservas em baixo.

a culpa não é (só) tua. é tudo isto, envolto em incerteza, que consome as minhas energias.

neste cenário o teu queixume em nada ajuda, nada traz de novo ou de profícuo para melhorar a situação e, assim sendo, torna-se dispensável.

por isso, com um grande sorriso agradeço que não partilhes a tua bílis com quem tenta estar bem, finta os receios, procura passar este tempo da melhor forma, aproveitando o estar juntos com o tempo que nunca tivemos e que, quando voltarmos à normalidade - porque voltaremos, nunca teremos.

não me ligues para partilhar a tua negatividade - que é tão exagerada quanto o silicone de muitas!

confesso que nunca percebi as pessoas que preferem viver na desgraça, no lado negro da vida, no “ai, ai, ai que me dói o dedo gordo do pé”. por favor pensa, pensem, em quem está efetivamente com problemas sérios, que em muito (anos luz) superam a desgraça de ter de ficar no quentinho das suas casas. claro que pessoas como tu irritam-se pelo queixume. outras irritam-me pela desvalorização de tudo isto e pelo seu comportamento irresponsável - quiçá o problema sou eu que ando irritadiça! 

arrepiam-me as pessoas que sabendo que estão doentes com este vírus usurpador e promiscuo que está sempre pronto para “saltar à espinha” da próxima vítima, se andam a pavonear por espaços comuns com uma total falta de noção cívica ou respeito pelo outro. quem raio consegue ser tão egoísta e irresponsável?! custa-me que indivíduos adultos precisem de amas (forças de segurança) para cumprir as regras dos paizinhos! (entenda-se governo). raios, mas quem educou estes energúmenos?! sim, para todos vocês, que provavelmente não me leem porque estão a passear numa praia ou num supermercado, façam-me um favor: cresçam! humanizem-se! destrumpem-se! desbolsonarem-se!

irresponsabilidade no covid

imagem retirada daqui

tive uma (boa?!) ideia!

não sei se é uma boa ideia. mas a verdade é que a qualidade de uma ideia só é validada após a sua implementação. por isso vamos, por enquanto e por simpatia, assumir que poderá se uma boa ideia.

estou em casa, com a minha família nuclear (companheiro e rebentos), há 14 dias. não contactámos fisicamente com ninguém, não saímos de casa para nada. falamos, por videochamada, diariamente com a família alargada. vamos ao jardim apanhar uns raios de sol nas "ventas" sempre que possível. 
estou a enlouquecer. tratar de um recém-nascido (e a privação do sono que isso implica) e lidar com uma bebé de dois anos que não está a lidar nada bem com a invasão da nossa família por parte daquele pequeno ser que ocupa muito espaço, está a deixar-me sem paciência.
o big brother da vida real é muito desafiante e esgotaste! a minha energia cai a pique, enquanto a deles se exponencia!

foi neste contexto que tive a ideia. a ideia simples de explicar ao papá o maravilhoso que seria se ele fosse acampar no jardim com a pequena durante a próxima semana. podiam aprender tantas coisas novas! fazer fogueiras, cozinhar no camping gás, tomar banho de mangueira ...tantas possibilidades para o desenvolvimento físico, cognitivo e emocional da pequena. estranhamente o papá não achou boa ideia. referiu uma acentuada descida da temperatura e outras coisas que mal ouvi... coisas insignificantes perante todas as potencialidades da minha proposta.

criatividade

imagem retirada daqui

 

bem, parece que a ideia terá de ficar "suspensa", mas pelo tempo que durará a pandemia ... voltarei ao ataque quando o calor chegar! 💪☺️🙏

 

nascer em tempos de covid-19

nasceste num momento histórico a nível mundial. certamente o estudarás na escola; mas o que a mamã te dirá é que foram tempos de muita incerteza e de muita esperança. em que se assistiu ao melhor e ao pior das pessoas.

quando perguntares porque não tens fotografias com os avós, com os tios ou com os primos, dir-te-ei que nasceste só para nós - e que assim foi nos teus primeiros meses de vida. que todos tinham muita vontade de te conhecer, de te pegar ao colo, de fazer macaquices para te ver sorrir…mas que tudo isso teve de esperar, pelo nosso bem e pelo bem dos teus avós, heróis noutros tempos que precisavam agora de ser protegidos e salvos pelo nosso amor.

nasceste numa época em que se apelava ao afastamento social, onde os abraços, beijos e miminhos - tão característicos do nosso povo latino -, tinham de ser adiados por tempo indeterminado.

dir-te-ei que durante muito tempo não exististe para o nosso estado - não havia como te registar e te tornar cidadão português. que o controlo de peso, as consultas de desenvolvimento foram suspensas. nasceste no século xxi perdido algures no início do século xx.

dir-te-ei também que correu tudo bem, que todos os dias falávamos por videochamada com os avós, os tios e os primos – quiçá vimo-nos muito mais e soubemos mais uns dos outros do que com as tradicionais visitas de domingo; que foste um bebé saudável e não tivemos de nos preocupar com as consultas que não estavas a ter; que os papás aprenderam a controlar os seus receios e a lidar com as incertezas dos tempos que se viviam e que juntos, com a tua mana, conseguimos aproveitar o melhor lado desta situação que se impunha: vivemos uns para os outros, construímos castelos de mantas, conhecemo-nos melhor e tornamo-nos profundamente cúmplices.

a mensagem que a mamã te quer deixar, do tempo em que nasceste, é que a vida por vezes pega-nos partidas inimagináveis e é a forma como lidamos com elas que nos trará angústia ou tranquilidade, tristeza ou felicidade.

durante uns tempos foste só nosso, fomos “apenas” uns para os outros, e assim … tornamo-nos os fantastic four!

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foi tão bom, não foi?!

já era tarde, estávamos cansados, aconchegados no banco debaixo do alpendre com a velha manta sobre o nosso colo. num silêncio cúmplice que acariciava as nossas almas.

no meio do silêncio, com a sua voz melodiosa e aveludada ele simplesmente diz: foi tão bom, não foi?!

olho para ele, sorrio, aceno com a cabeça e encosto a minha cabeça no seu ombro.

continuamos em silêncio, relembrando, cada um nos recantos da sua memória, aquele momento de perfeita felicidade.

alpendre

imagem retirada daqui

 

desafio de escrita dos pássaros #2.6 - apelo ao equilíbrio

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a minha rotina matinal é simples: acordo, vou à casa de banho, tiro um café e ligo a tv para me inteirar de como vai o mundo.

hoje não foi diferente. confesso, no entanto, que o pensamento que me assolou assim que comecei a ouvir o pivô do canal do costume foi: "oh não, um vírus outra vez!"

não nego que um vírus altamente contagioso nesta altura é uma ideia que muito me agrade, no entanto todo o alarido que se cria à sua volta é o que mais me preocupa. o medo torna as pessoas irracionais, e os meios de comunicação social, numa ânsia de conquista de audiências, alimenta de modo feroz o medo das pessoas.

também não acredito que a desvalorização dos riscos reais seja a forma adequada de atuar - como fazem ao comparar o número de mortos por gripe, cancro ou ataques cardíacos. há riscos que devem ser controlados pelo bem de todos, numa postura cívica e de saúde pública.

o equilíbrio, nesta situação como em todas, parece-me a aposta certa. e como atingir esse equilíbrio?! com informação correta e adequada - quer pelas entidades competentes, quer pelos órgãos de comunicação social, quer por cada um de nós nas nossas interações sociais.

sejamos parte da solução é não do problema!

 

 

desafio de escrita dos pássaros #2.5 - a vida por vezes não é madrasta

nem seis da manhã são ainda … mas não consigo ficar mais na cama. a minha alma agita-se a cada pensamento e o meu corpo reage instintivamente. a expetativa é grande. hoje é o dia. o grande dia.

nunca pensei que fosse possível que isto acontecesse, mas a vida, essa danada, arranja sempre forma de nos surpreender.

levanto-me e vou diretamente para o duche. deixo a água quente escorregar pelo meu corpo, despertando cada centímetro de pele. a minha cabeça, graças à intensidade da água, cede àquele pequeno prazer, esquecendo tudo e deliciando-se com a sensação de leveza. agora a água a cair sobre os meus ombros, aumento a temperatura, o meu corpo reage, entregando-se depois à sensação de plena descontração.

afago a minha pele com a suave e cheirosa toalha recentemente tirada da máquina de secar. espalho o creme, após o aquecer entre as mãos, e o seu perfume espalha-se pelo meu corpo e inunda a minha mente com belas memórias.

desço e faço café, simples e intenso, o aroma que faltava para trazer lucidez a todos os pensamentos que invadem a minha mente.

agora, completamente desperta, sinto a ansiedade aproximar-se. o receio de que não aconteça, de que tudo não passe de uma confusão, de que aquele convite não seja mais do que o delírio da minha mente cansada.

o encontro estava agendado para as onze horas, numa modernidade aparentemente incompatível com a ocasião: um brunch. falta tanto que não sei o que fazer… a minha capacidade de concentração em qualquer tarefa é igual a zero. não quero pensar mais no assunto, criar expectativas… são oito horas, vou acordar a criançada e perder-me nos seus mimos e gargalhadas – excelente estratégia!

conversa aqui, miminho ali, cocegas e muita gargalhada são os ingredientes essenciais para entrar numa nuvem de amor que eclipsa todo o resto.

o mais que tudo acorda e junta-se à “festa”. inquire-me com o olhar, para saber se estou bem. aposto que ficou sem perceber a resposta…pois nem eu sei!

lá vamos nós, para o local marcado, na hora combinada.

ao chegar percorro o local com o olhar, verificando se estão todos, mas sobretudo procurando por ela. ao vê-la, imobilizo. deslumbro-me por aquele sorriso só seu. afasto os pensamentos que me dizem que é impossível, que o que vejo não passa de um oásis no deserto. continuo a caminhar na direção dela e perco-me no calor do seu abraço.

no teu abraço

imagem retirada daqui

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