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mami

viver | amar | sentir | pensar | lutar | conquistar | desafiar | refletir | descobrir | experimentar | partilhar | aprender | acreditar | sonhar * ser mãe sem me perder de mim *

viver | amar | sentir | pensar | lutar | conquistar | desafiar | refletir | descobrir | experimentar | partilhar | aprender | acreditar | sonhar * ser mãe sem me perder de mim *

livros para explicar a chegada de um irmão

livros infantis

a nossa decisão de ter um segundo filho esteve relacionada com o facto de desejarmos que a pequena tivesse uma relação fraterna. ambos temos irmãs/irmãos e para além das felizes relações que temos em adultos, temos memórias únicas de situações da nossa infância (das mais ternurentas às mais, como posso dizer… de sobrevivência).

queríamos que ela tivesse uma irmã /um irmão, mas será que ela queria? claro que não. nesta idade (dois anos) quer a omnipresença dos pais e toda a atenção destes. por isso, assim que a barriga se tornou visível, começamos a falar-lhe do bebé que vinha a caminho. ela nunca se mostrou interessada no assunto. dizia que o bebé estava na barriga da mãe, quando as pessoas – compulsivamente – lhe perguntavam pelo mano (tive que por um ponto final a essa persistência, pois se a miúda queria ignorar a situação havia que dar-lhe tempo, para além de ela querer que lhe falassem dos lindos “totós” ou do bem que dançava, não do bebé).

como ela adora livros, estes foram, obviamente, a estratégia adotada para aprofundar o assunto da chegada do bebé. mas mais uma vez ela impôs as suas preferências. aceitou muito melhor o livro que faz uma abordagem ao tema através da fábula, do que aqueles que o fazem através da representação de figuras humanas.

 

 

à espera de um irmãozinho

 

à espera de um irmãozinho

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

um livro com desdobráveis que permite “espreitar” o que vai acontecendo dentro da barriga da mamã que vai ter um bebé.

ao longo da história a maria, criança pequena que vai ter um irmão, manifesta várias emoções (cólera, ciúme, admiração, felicidade) e a mamã e o “mano” vão reagindo às mesmas.

o livro tem muitas potencialidades para exploração do desenvolvimento do bebé, à medida que a barriga da mamã cresce, bem como das emoções que a irmã mais velha vai experimentando.

 

 

apreciação mami:     a linguagem é simples e objetiva. a criança (irmã mais velha) vai sendo interpelada de forma clara. as personagens e as ilustrações são “reais”  e a história do livro acompanha a “evolução” da gravidez. permite trabalhar as várias emoções, proporcionando a identificação da leitura com a personagem (maria).


apreciação pg:    a pg gostou dos desdobráveis (ela gosta de tudo o que lhe permite interação). no entanto, o facto de ser tão objetivo e de a confrontar com uma realidade que lhe é desconfortável, nem sempre estava “disponível” para o explorar. (nota: tem entre 22 a 26 meses no momento de exploração do livro)

 

autora: marianne vilcoq 

editora: minutos de leitura

dimensões: 12,9 cm x 24,1cm

preço: 9€ (preço médio)

 

mais um

 

mais um

 

para além do tema central da chegada de (mais) um irmão, é abordada a questão temporal, através das estações do ano, e características associadas aos vários animais que participam na história, por exemplo, o pica-pau trabalha a madeira, a ovelha tricota a lã.

ao longo da história a criança vai integrando o conceito de fraternidade e das vantagens de ter um irmão (sobretudo através das brincadeiras que juntos poderão fazer), as emoções são trabalhadas de forma positiva (curiosidade, espectativa, …) e “todos” são envolvidos nesta aventura da chegada de mais um elemento da família.

 

 

 

apreciação mami:     o livro apresenta-se numa linguagem apelativa para as crianças. é muito rico em pormenores e aborda vários aspetos tendo imensas possibilidades de exploração. segue uma ordem cronológica e cada nova introdução de conteúdo/informação conclui com o sumário das anteriores, trazendo ritmo à história.

apreciação pg:      adorou a história, as personagens (adora tudo o que envolve animais) e as imagens. interagia com as personagens e, passado algum tempo de exploração do livro, contava a história com entusiasmo.

 

autora: marc taeger e olalla gonzález 

editora: kalandraka

dimensões: 19,1 cm x 26,2cm

preço: 14€ (preço médio)

 

 

camila tem um irmão

 

a camila tem um irmão

esta história tem a particularidade de incluir o pai em todo o processo em que a personagem descobre que vai ter um irmão e lida com as emoções que esta nova situação desperta, ficando gradualmente entusiasmada por ser a irmã mais velha.

trouxemos o livro da biblioteca mas não o trabalhamos. a pg não mostrou interesse, quiçá será adequado a crianças mais velhas (pelo texto e pela forma como as situações são abordadas).

 

autora: aline de pétigny e nancy delvaux 

editora: asa

dimensões: 22,3 cm x 22,8cm

preço: 6,50€ (preço médio)

 

vai chegar um bebé

este foi um livro que não lemos porque na altura não estava disponível na nossa biblioteca, mas que me pareceu muito interessante pelas vária pesquisas que fiz. é um livro editado pela caminho, escrito  por john burningham que conta com as belas ilustrações de helen oxenbury.

 

nota: a pg tinha entre 22 a 26 meses no momento de exploração dos livros

11 gestos para uma vida mais sustentável

o meu percurso

tenho vindo a trilhar o caminho rumo a uma vida mais sustentável. venho partilhar a minha experiência esperando demonstrar que pode ser um processo simples e ao acesso de qualquer pessoa.

começo por apresentar os dois princípios que norteiam a minha caminhada:

 assumo pequenos passos, dados de forma consistente e ajustados à minha vida. acredito que uma mudança de comportamento, para ser efetiva, deve ser gradual.

 fujo de utopias e de fundamentalismos. tento ser razoável e defendo que qualquer passo, por mais pequeno que seja, rumo a uma atitude mais sustentável é já um contributo para um mundo melhor.

desde o final do ano passado que tenho vindo a ler e aprender sobre como ser mais responsável com o ambiente através de comportamentos sustentáveis. béa johnson é um ícone incontestável - pioneira do movimento desperdício zero. como inspirações nacionais encontrei, entre outras, ana milhazes (ana, go slowly!) e eunice maia (maria granel). tenho assistido  a vários webinares (alguns disponibilizados na app da edp zero) e ouvido podcast. quanto mais leio, mais vejo, mais oiço, mais verifico que há uma diversidade de coisas que podemos fazer para sermos cidadãos e cidadãs mais responsáveis com o ambiente. com mais ou menos envolvimento, mudanças mais ou menos radicais, o importante é não ignorar que o nosso comportamento e as nossas escolhas influenciam o mundo em que vivemos – para melhor ou para pior.

neste momento fujo de qualquer coisa que complique o meu dia-a-dia, já bastante atribulado, por isso fui muito consciente e honesta, de mim para mim, com os compromissos que decidi assumir. inspirada nos 5 rs da béa ( recusar, reduzir, reutilizar, reciclar e compostar - rot) defini e comprometi-me com algumas ações que acreditei serem fazíveis, baseadas na compra consciente e na procura de alternativas mais amigas do ambiente para as coisas do dia-a-dia.

assim, partilho as minhas escolhas para uma vida mais sustentável:

 uso garrafa reutilizável para água. bebo muita água e gosto de a ter sempre por perto. em simultâneo, sou um pouco esquisita nas garrafas reutilizáveis. detesto o sabor do plástico e do alumínio, por isso a minha opção é sempre o vidro. no entanto para transporte a de vidro não é a mais segura (mesmo com vidro resistente). depois de muito procurar encontrei uma alternativa que me satisfaz muito (pela capacidade – 600ml, por ser de vidro mas ter proteção e pelo facto de a parte de baixo abrir para lavar o fundo da garrafa, ser bonita é também um aspeto positivo).

garrafa de água sustentável

 

  utilizo copo com filtro para café. adoro café - do expresso ao americano. um dos meus objetivos é reduzir o consumo de café em capsulas (não sou capaz, ainda, de abdicar do expresso ao acordar, mas comecei a reciclar as capsulas que utilizo). encontrei este copo com filtro para fazer café e adoro! é amigo do ambiente, pois para um bom café só precisamos de…café e água quente! 

para um café mais sustentável

beber café de forma sustentável

 diminuí o lixo relacionado com as embalagens. deixei de adquirir produtos frescos embalados (saladas, legumes, carne e peixe); opto por iogurtes e outros alimentos sem duplo embalamento e, sempre que possível, compro embalagens com maior capacidade (por exemplo, em casa usamos muita aveia, em vez de comprar embalagens de 400g, compro embalagens de 1 kg; como faço pão e bolachas em casa, em vez de comprar sacos de 1 kg de farinha, compro sacos de 5kg; não compro embalagens individuais de bolachas ou leite, compro os tamanhos maiores e, se necessário, levo pequenas quantidades em embalagens reutilizáveis). sempre que possível compro a granel com os meus próprios sacos reutilizáveis. passei a optar também por sabonete e champô sólido.

 

 diminuí o consumo de produtos de origem animal. desde o início do ano que faço uma alimentação mista confecionando uma refeição vegetariana por dia. para este objetivo muito ajudou a participação no desafio vegetariano, um programa gratuito através do qual ficamos a conhecer um pouco mais sobre a pegada ecológica relacionada com a alimentação, aprendemos receitas e esclarecemos dúvidas. não pretendo, pelo menos por enquanto, deixar de consumir produtos de origem animal, mas acredito que diminuir o seu consumo para metade (x 3 pessoas) é já um contributo.

 

 luto contra o desperdício alimentar através de compras mais conscientes, da utilização mais integral dos alimentos frescos e de uma melhor organização/planeamento das refeições.

desperdício alimentar

 

 recuso o que não preciso. parece simples e até óbvio, mas na prática custa recusar as borla, ofertas e amostras. eu já fui daquelas meninas que nos festivais papava todos os brindes e ao chegar a casa remetia-os para uma gaveta até um dia irem para o lixo. agora reflito sobre se vou precisar ou não do que me é oferecido, se vou usar, se quero contribuir para a produção daquele tipo de produto/embalagem (o tamanho de uma amostra justificará o desperdício/lixo que produz ou os recursos consumidos para a sua produção?).

 

 dou nova vida às coisas. sabiam, por exemplo, que uns collants estragados podem transformar-se em elásticos para o cabelo, em saquinhos para aproveitar restos de sabão ou champô sólido, para guardar alhos e cebolas ou para dar graxa aos sapatos?! Que os frascos de alimentos são excelentes para guardar cereais, bolachas, leguminosas, farinhas, legumes, ... para além de muito práticos, ficam lindos.

frascos sustentáveis

 

que podemos fazer acendalhas, para acender a lareira ou a churrasqueira, utilizando rolhas de cortiça e álcool etílico. simples, barato e com desperdício zero!

acendalhas sustentáveis

 

 arranjo o que se estraga (sempre que possível). voltei a fazer remendos de forma criativa customizando as peças.

 

 reduzi a aquisição de roupa, calçado e acessórios, para mim e para os miúdos. era uma compradora compulsiva. comprava porque sim, não porque precisasse. estou a fazer uma experiência muito gira: o armário capsula. o escolher as peças para constituir o  armário fez-me ter uma maior consciência da forma como lidava com a roupa. agora, seguindo as dicas de vivi cardinali, consigo viver com 40 peças de vestuário e continuo linda e com estilo. 

 

 diminuí o consumo de combustíveis fósseis aproveitando o apoio do fundo ambiental para edifícios mais sustentáveis, alterando o meu sistema de aquecimento de água.

 

 reduzi o papel referentes a pagamentos e transações. as faturas recorrentes são em suporte digital e uso a app do meu banco para consultar estratos e movimentos de conta.

 

com algumas destas ações diminui a produção de lixo indiferenciado em casa de 5 para 2 sacos semanais. e acredito que reduzirei ainda mais, estou no bom caminho!

do que tenho experimentado até agora acredito que uma vida mais sustentável ambientalmente consiste, em grande parte, em viver de forma consciente cada escolha e reduzir o que temos para o essencial, funcional e que nos dá prazer. isto traduz-se em mais qualidade de vida, mais poupança, mais liberdade e mais tempo para ser feliz!

longos dias cinzentos com uma mãe ausente

confinamento, maternidade e teletrabalho

a pandemia prolonga-se por demasiado tempo. este é certamente um pensamento que nos liga. estamos todos e todas ansiosos/as e cansados/as desta situação. o confinamento não traz apenas uma limitação da nossa liberdade física, traz também uma pressão psicológica sobre o nosso dia-a-dia.

a doença traz constantes novidades: as consequências, as variantes, os medicamentos que ajudam ou prejudicam, as vacinas; em suma, muita informação, muita contrainformação, mais incertezas do que certezas.

estamos no campo do desconhecido em muitos aspetos, pelo que, o melhor é não ficar doente, por nós e pelos que amamos. mas parece cada vez mais uma inevitabilidade, se não for agora, será daqui a um mês ou no próximo outono. e esta sensação torna-nos mais frágeis e por vezes mais inconsequentes, e a “profecia” autorrealiza-se.

como sou nova nisto do confinamento enquanto mãe e trabalhadora (no primeiro confinamento estava em licença de maternidade), estava convencida de que assim que fechassem as escolas poderia pedir algum tipo de “baixa” - já estava em casa com os miúdos, por opção, em teletrabalho há duas semanas quando se deu o fecho das escolas. ora bolas, pensei mal! quem está em teletrabalho não tem acesso ao apoio para pais com crianças menores de 12 anos.

compreendo que o país esteja à beira da rutura económica e que por isso é esperado que os pais façam (mais) um esforço, mesmo que isso os deixe à beira da loucura!

e entenda-se que o problema não é cuidar dos catraios, fazemo-lo aos fins-de-semana e em férias com todo o prazer…e mesmo no dia-a-dia após o horário laboral.

o problema está em querer compatibilizar, no mesmo horário e espaço, o que não é compatível. a constante dualidade entre ser mãe ou ser profissional (já tirei da equação o ser “boa” em qualquer uma das funções) cria uma tensão enorme desde o final da primeira chávena de café até ao deitar.

como explicar a uma criança de 3 anos ou a um bebé de 10 meses que a mamã está em casa, mas não pode estar com eles, a satisfazer as suas vontades. como explicar à mais velha que não pode dar um ar da sua graça frente à câmara nas reuniões zoom da mamã ou, ao mais novo, que há “horários” em que não pode fazer birra?

depois há a questão de que, como não conseguimos ser eficazes no cumprimento das nossas responsabilidades profissionais, não conseguimos “sair a horas”, ou seja, a situação alastra-se bem mais do que as 7 horas do horário de trabalho.

quando finalmente encerramos o computador (nem sempre porque acabamos, mas sim porque os miúdos têm de jantar) eles esperam de nós aquele tempo prometido, mas nós já estamos mentalmente esgotados, desprovidos de qualquer capacidade de ir para além do que “tem mesmo de ser”, desejando apenas silêncio e um copo de vinho à lareira, enquanto eles anseiam por brincadeiras e gargalhadas depois de um dia repleto de “agora não”, “a mamã tem de trabalhar”, “já te pedi para parar” - isto nem sempre dito no tom mais adequado.

maternidade e teletrabalho

 

é assim que, ao final de um dia a tentar chegar a todo lado, sinto-me um fracasso, um embuste. olho para os meus filhos e penso que não merecem esta mãe, que eu não quero ser esta mãe sempre à beira do grito, sempre tensa, stressada.

eles não fazem nada de diferente do que fazem ao fim-de-semana, a diferença não está neles, está em mim. ao fim-de-semana não há horários, prazos a cumprir, reuniões, relatórios ou telefonemas. ao fim-de-semana estamos os 3 em harmonia, nos nossos ritmos, eles não reagem com birras ou chamadas de atenção à minha “ausência”, porque estou lá para eles, estou presente.

o confinamento, que só por si é pesado, veio acompanhado de uma chuva que teima em não parar, assegurando que nem passeio higiénicos as crianças dão. é assim que caracterizo os tempos que vivemos por estes lados: longos dias cinzentos com uma mãe ausente.

vermelho em belém

o estado da nação

e assim surgem campanhas fabulosas.

se até aqui as candidatas e os candidatos a belém contribuíam em larga escala para difundir a mensagem daquele senhor cujo nome não devemos pronunciar e a dar-lhe palco, agora foi a vez deste retribuir, sobretudo às senhoras candidatas (porque por muita pena minha - pela imagem que se configura divinal e não por opção política - o senhor do livre não publica uma foto com os lábios pintados de vermelho).

estas presidenciais têm sido uma surpresa para mim. tenho descoberto que tenho "amigos" no facebook dos quais me deveria despedir. o apoio a que tenho existido àquele candidato cujo nome não devemos pronunciar é relevante e a reprodução dos seus argumentos assustadora.

o seu discurso populista que vai ao encontro da raiva recalcada de alguns, dos medos de outros e da critica fácil de muitos, faz com que o discurso seja incorporado sem que seja questionado, sem que se averigue que propostas há para, de forma concertada, melhorar a situação de todos e de todas e combater as desigualdades....

ah, esperem! quais desigualdades?! a solução já foi apresentada: acabar com tudo e com todos (e todas)  os que chateiam, os que sujam a pintura e os que consomem demasiados recursos. quiçá possa surgir a brilhante ideia de criar uma estrutura em pleno oceano para evitar a "invasão" de “quem não interessa” - tipo uma barragem na qual tod@s os seres maiores que querem um portugal apenas para alguns, conjuntamente com esses alguns, se possam afogar nos seus egos.

nunca imaginei que discursos vazios de conteúdo e isentos de soluções pudessem atrair tanta gente; mas na verdade isto é reflexo da sociedade na qual se leem títulos sensacionalistas que se assumem como factos sem que se verifique a informação, ou sem que, pelo menos, se abra a notícia para se ler o seu conteúdo.

temo muito pela legitimidade que estas eleições possam trazer a estes loucos/as inconsequentes. e que de um povo pacato e amistosos de uma revolução com cravos, passemos a machistas, xenófobos/as, homofóbicos/as, opressores/as e agressores/as.

vermelho em belem

imagem retirada daqui

 

com este confinamento cujas medidas se estabeleceram ao jeito de dar jeito a diversas situações - da maria que vai casar no sábado; da margarida que não pode ficar com os filhos em casa porque tem de estar nas urgências do hospital; do jacinto que não tem onde deixar o mais novo para conseguir manter o seu restaurante, agora em takeaway, para tentar fazer face, pelo menos, às despesas fixas; do anacleto e da kelly que no dia 24 têm de dar um saltinho à mesa de voto para cumprir o seu direito e  dever cívico…-, num país onde a abstenção é (quase) sempre a vencedora, questiono quem vai sair para votar: serão os filhos de abril ou os que destilam fel?

 

o novo confinamento e as escolas

vida de mãe

não me considero uma mãe galinha. panico muitas vezes mas tento, sempre que o meu sistema nervoso o permite, dar a máxima liberdade à minha filha e ao meu filho para que explorem e se apropriem do mundo.

no atual cenário de confinamento total que afinal é parcial, tenho de confessar que não me sinto confortável em ficar em casa, protegida, e enviar as minhas crias para a escola. não me faz sentido nenhum. e é aqui que descubro que, quiçá, sou afinal uma mãe galinha.

não sendo especialista em nenhuma das complexas áreas que estão implicadas na decisão de manter as escolas abertas, e tendo percebido que há pais e professores que apoiam esta decisão do governo, concluo que efetivamente sou uma mãe galinha.

mas sabem que mais? quero lá saber!

ainda pouco se sabe sobre as consequências a longo prazo da doença e pelo sim pelo não, e dado o facto das crias não estarem na escolaridade obrigatória, assumindo que, provavelmente, vou enlouquecer em casa, em teletrabalho, com um bebé pequeno e uma bebé grande, vou mantê-los debaixo das minhas asas. sei que muitas vezes vou perder a cabeça e desatinar por saturação,  mas sei também que não conseguiria ficar bem, com a minha consciência, se um deles ficasse doente sabendo eu que poderia tê-lo/tê-la tido comigo, em segurança, em casa. esta opção não me torna melhor mãe, nem torna as que tomarem opção diferente piores mães. 

vamos lá fazer figas para que este novo esforço de tod@s se traduza em resultados que nos ajudem a manter a esperança de que este episódio chegará ao fim.

 

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compradora compulsiva, eu?!

que disparate.

apenas gosto de aproveitar (todas) oportunidades de fazer boas compras.

há promoções que não podemos deixar escapar (mesmo que ocorram todas as semanas!)

poupar, poupar, poupar é o meu lema, mesmo que para isso tenha que gastar, gastar, gastar.

precaver os essenciais; estes nunca são de mais (até que se acumulem de tal forma que se tornem desperdício)

os saldos são excelentes para renovar o guarda-roupas (antas peças baratinhas e bonitinhas, tenho de aproveitar, mesmo não sabendo quando as vou usar)

as crianças precisam de roupa para o próximo inverno, estão a crescer … tão bom camisolas a 2€ (mas será que precisam de 10?!). quantas vezes compramos porque é barato, não porque precisemos?

a poupança não reside em comprar muito porque está barato, consiste em comprar de forma consciente aquilo que precisamos. para isso, necessitamos de investir tempo em ver o que temos, em arranjar uma forma de organização daquilo de temos, para depois sim, ter consciência do que precisamos.

não foi fácil perceber que era/sou uma compradora compulsiva. há um ano que tenho esta consciência e tenho tentado combater este impulso de aproveitar “pechinchas”. esta questão levou-me a tomar consciência do impacto ambiental da produção daquilo que consumimos em excesso e do desperdício que produzimos. somos todas e todos responsáveis por esta cadeia. eu decidi por um travão e contra isso luto.

vivemos numa perspetiva do consumo rápido, do descartável … e isso é irresponsável!

aliado ao meu problema do consumismo tenho o facto de ser uma acumuladora (estou condenada a sucumbir entre trapos!). tenho dificuldade em me desfazer das coisas, porque algum dia as voltarei a usar (ou as usarei pela primeira vez). até nas coisas das crianças que claramente nunca as voltarão a usar! ou aquele sofá que um dia arranjarei… a desvantagem de ser uma pessoa com as minhas características e viver numa vivenda é que há sempre um lugar onde acumular mais tralha.

este processo de consciencialização é mais exigente e desgastante do que tinha imaginado. é mais fácil e rápido comprar coisas novas, do que fazer um inventário, organizar e reutilizar o que já possuímos (sobretudo quando temos anos de acumulação de toda a espécie de “coisas, só apetece virar as costas e fugir!).

este é o desafio que me acompanhará em 2021. ser mais consciente do que tenho, do que preciso e do que compro. e, no momento de comprar, fazer escolhas mais sustentáveis. partilho com vocês porque isso compromete-me. porque me faz sentir que, de alguma forma, não estou sozinha e tenho perante “quem” responder.

desejem-me (muita) sorte!

e se for o caso inspirem-se e acompanhem-me nesta (longa) viagem.

sustentabilidade

 

 

olá, hola, hello, salut, hallo, ciao, shalom.ahoj, ..., 2021

pois cá estamos. 

ainda parece que foi ontem que deixávamos para trás 2020.

um novo ano, novas oportunidades.

uma página em branco num caderno cheio de rabiscos.

poderia ser assim, mas não é.

passou apenas um dia e na verdade nada mudou.

até as celebrações deveriam/foram contidas, pelo que a ausência de ressaca e euforia torna mais banal o dia de hoje.

aumenta em nós a ânsia de mudança, começamos a pensar que não há uma nova realidade mas sim "a realidade". descuidamo-nos. a esperança reduz-se após o rejubilo da vacina ofuscado pela nova estirpe.

nada disto desapareceu com a passagem de ano. mesmo para quem possui tal ilusão a mesma se dissipará nos próximos dias, assim como (a maioria) os planos que por tradição estabelecemos para o novo ano.

não pretendo ser o grinch do novo ano. 

partilho apenas o turbilhão que vai na minha mente, por ansiar uma mudança que sei não será breve.

apelando em mim, em vós, à resiliência, à esperança e à ação.

é importante que tod@s e cada um de nós tenha um papel positivo nesta luta. não somos alheios, nem estamos à margem dela. responsabilidade, cidadania, respeito, solidariedade, devem estar na nossa mente a cada dia, a cada gesto.

nós vamos vencer. mas para isso temos de estar unidos e aceitar as nossas responsabilidades.

o corona veio lembrar-nos que estamos todos interligados, recordando-nos o efeito borboleta de lorenz.

como resultado colateral trouxe um maior foco sobre as questões da sustentabilidade ambiental. pelo menos foi essa a minha perceção. uma maior consciencialização sobre o papel individual na situação global.

este foi o caminho que escolhi aprofundar em 2021, sem pragmatismos nem fundamentalismos, mas de forma intencional e consciente. porque faz sentido termos objetivos num novo ano, mesmo que o hoje, mais não seja do que a continuação de ontem, é sempre uma possibilidade de melhorar o amanhã. 

2021.escolhas sustentáveis

 

2020 (finalmente) chega ao fim

sei que este é o pensamento que muitos partilham.

eu vivo-o com ambiguidade.

2020 foi o ano de todos os desafios.

foi o ano do confinamento, do distanciamento social, da solidão, da incerteza e do medo.

foi um ano de reflexão (imposta), não sei se foi um ano de mudança, mas foi sem dúvida um ano a quem ninguém fiou indiferente.

foi um ano que ficará para a história, esperemos que não seja o início de um período. 2021 traz-nos esperanças renovadas, como se a mudança de ano pusesse-se fim a isto tudo. a vacina chegou antes do fim do ano mas, quando a esperança começa a aquecer os corações, surge uma nova estirpe do vírus que nos estupra a fé e alimente as teorias da conspiração.

no entanto, mesmo sem a meiguice que se esperava de um ano lindo como 2020 (quer na expressão escrita, quer na expressão oral) eu não consigo não lhe estar grata.

2020 trouxe-me um ser cheio de luz. um sorriso fácil que se ilumina só por captar o meu olhar ou ouvir a minha voz. um gargalhada pura e contagiante. uma força da natureza que desafia todos os limites mas que ameniza todas as ânsias.

mesmo com todas as coisas menos boas que este ano me trouxe a nível pessoal, no meio de toda esta loucura mundial, tive muita sorte. apesar dos sustos e das limitações eu e os meus estamos bem. parece-me que perante este cenário de bosta de vaca biológica mais não podia pedir e agradecer a 2020.

 

2020

 

se puderem, se tiverem razões para tal, vejam o copo meio cheio que 2020 vos deixou.

superstições de passagem de ano

 

passagem de ano

imagem retirada daqui

 

 

"no creo en brujas pero que las hay las hay"  ... não sou (muito) supersticiosa, mas não custa nada fazer umas coisitas... "just in case" para que tudo corra de feição no novo ano que se assoma.

na minha família asseguramos o cumprimento rigoroso de algumas superstições que se converteram já em tradições. por vezes temos algumas dificuldades em gerir o tempo visto só haver lá na terrinha uma "meia noite"!

deixo-te aqui os conselhos da família da mami para um 2019 cheio de coisas boas!

 

.antes do final de 2018:

- liquida todas as tuas dívidas e contas pendentes  -  isto é das coisas que mais me atrofiam, tirando a minha relação (quase) eterna com o novo banco, pago todas as contas e eventuais empréstimos de amigos;

- limpa a casa, liberta-a de todas as energias negativas e coisas partidas, lâmpadas fundidas ... não esqueças de fazer a cama com lençóis novos para garantir "o amor" 

 

.dress code

toda a tua roupa deverá ser nova, para começares o ano "como uma folha em branco" (não te esqueças da prévia banhoca, depilação e afins)

a roupa não deverá ser apertada ou desconfortável...para não "sofreres apertos" ao longo do novo ano

sem melindrar qualquer fashion code tens, com bom senso, que conjugar as cores que garantem a felicidade no novo ano :

- amarelo para o dinheiro

- vermelho para a paixão

- verde para a saúde

- azul para melhorar a comunicação com os outros

- castanho para o sucesso profissional

- branco para a luz, paz e energias positivas

- preto para quem deseja mudança

 

.ao jantar:

- nunca comas aves no jantar de passagem de ano, pois com elas voam a fortuna e a felicidade

- mesmo que não estejas em casa, deve haver comida na tua mesa (sem exageros...uma fruteira recheada é suficiente)

- a tua ementa para o jantar deverá ser variada e farta, para assegurar a sua réplica ao longo do novo ano

 

.à meia noite: 

- tens de estar acordado (parece que o pior que pode acontecer é entrar o ano a dormir...sinal de um 2019 "parado" - a não ser que o que pretendas seja mesmo isso )

- portas abertas e luzes acesas parecem garantir a entrada das boas coisas no novo ano - é importante não dificultar o acesso ao que nos vem trazer felicidade 

- ter dinheiro no bolso, na mão, nas meias, no soutien, ...nada de o ter na carteira que está a 1m de ti! ou ouro (anel, pulseira, brincos...). o objetivo é ter um símbolo de riqueza, que assegure um 2019 rico e estável a este nível (se alguém tiver uma nota de 500€ que me ceda posso enviar a morda e pago os portes)

- sobe a um banco, mesa, sofá, degrau...para receber o novo ano. não esquecer de subir com o pé direito! dizem que garante a ascensão/sucesso profissional

- à meia noite come 12 passas e pede 1 desejo por cada uma, mas atenção, terá de ser na seguinte "dose": 4 para o mundo, 4 para quem amamos e 4 para nós (os desejos devem ser sempre formulados pela positiva, evita o "não...")

- faz um brinde com espumante, bebe um gole, dá três pulinhos sem derramar a bebida, e atira-a para trás das costas, imaginando que te libertas de todas as coisas negativas! não penses que é um gesto egoísta, quem for banhado pelo líquido do nosso copo será recompensado com boa sorte para 2019 - "o azar de uns, pode ser a sorte de outros" . alerta de segurança - ti.no.ni.: deveras dar os pulinhos em cima de onde estiveres, pelo que será conveniente escolheres um local minimamente estável!

- para o amor, a primeira pessoa a parabenizar após a meia noite deverá ser do sexo oposto ... ou do mesmo, dependendo da tua orientação sexual. 

- "façam barulho" para afugentar as energias negativas - música, foguetes, gritos, tachos, tudo é válido!

 

se sobreviveres intact@ a todo este ritual...avança confiante para o novo dia, do novo ano!

 

.no primeiro dia do ano:

- "dá um mergulho no mar "

- engole sapos, esconde-te, foge, o importante é que não discutas nesse dia!

 

depois de tudo isto é impossível não teres um excelente 2019 

 

.durante todo o ano de 2019:

valoriza o melhor de cada dia e sê genuinamente feliz!

 

 

pessoas bonitas, se me esqueci de qualquer coisa para assegurar a minha felicidade... é favor de dizer!

 

nota: este post espalha boa sorte desde 2017!

pais gabarolas

parentalidade

há 3 anos atrás era eu mãe de primeira viagem. aderi a vários grupos de fecebook de mamãs, para me sentir acompanhada nesta viagem. houve momentos em que estes grupos foram de bastante ajuda, outros em que foram assustadores por demonstrarem que as mamãs podem ser seres cruéis e mesquinhos (umas para as outras) e outros em que se assistia, apenas, a uma feira de vaidades. juntando os dois últimos pontos mencionados, lembro-me de várias situações em que aconteciam coisas deste género:

- uma mamã pede ajuda para tentar verificar se é “normal” que a filha/o aos dois anos ainda não falar. a resposta de uma mãe: “o meu é super desenvolvido, fala desde que tem um ano, no infantário dizem que é o mais desenvolvido”. serei eu a única a questionar o que raio tem esta resposta a ver com a dúvida/ansiedade partilhada pela outra mãe?!

- uma mamã inicia uma conversa descrevendo todos os feitos do filho de 6 meses: gatinha, põe-se de pé, bate palmas e quiçá, não me recordo bem, falava inglês. muitas mães na sua simpatia respondiam dando os parabéns por tal desenvolvimento outras desejando que a sua criatura tivesse o mesmo nível de desenvolvimento.

todas as mães, todos os pais, têm orgulho nas conquistas das suas crias. mas essas conquistas são individuais e têm a ver com inúmeros fatores. não são uma corrida, não há competição ou não deveria haver.

a minha filha sempre teve o seu ritmo, nunca foi precoce em nada, embora tenha atingido os patamares de desenvolvimento no tempo estipulado por quem disso sabe.

pais gabarolas

agora, na segunda viagem desta aventura exigentemente desafiadora de ser mãe, tenho um filho que não tem tempo a perder. fez as aquisições motoras muito cedo (erguer, virar, gatinhar, andar… e em breve, temo mas sei, trepar, escalar e quiçá até voar!).

dois filhos, dois ritmos de desenvolvimento completamente diferentes.

e não, não estou nos grupos de mamãs de facebook a dizer que tenho um nélson évora.

no entanto, há algo que por cá ocorre que me tem irritado. tenho uma sobrinha que é 3 meses mais velha do que o meu catraio, com um ritmo de desenvolvimento perfeitamente normal. o progenitor cá de casa sofre do síndrome de mãe de grupo de facebook. quando está junto do irmão não para de elogiar os feitos do filho, enaltecendo o futuro spider man que por cá temos. faz comparações entre as criaturas e enerva-me as entranhas. já tentei explicar que “não é bonito”, mas não se aguenta (nem ele de falar, nem os outros de o ouvir).

a empatia e a assertividade devem conduzir o nosso comportamento social. a vaidade não nos pode cegar. e não me entendam mal, tenho imenso orgulho nos meus filhos, nos seus feitos e nas suas conquistas, mas são eles que têm de sentir este meu orgulho, por quem são e pelo que são, não por comparação com outros seres (a vida depois lhes trará isso).

mamãs e papás, não comparem os vossos filhos/as com os dos outros, olhem para as vossas estrelinhas e festejem cada conquista. não somos todos iguais, nem temos de ser. cada criança tem uma vida pela frente (assim desejamos) para se destacar, para descobrir as suas potencialidades, para brilhar. estejamos presentes.

 

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