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mami

. lifestyle . | devaneio & introspeção | descobrir | experimentar | partilhar | viver | sentir | amar | lutar | conquistar | desafiar | vencer | felicidade de ser e estar e não saber se se quer mais

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a ignorância é uma bênção

ontem em conversa com um amigo, sobre o que gostaríamos para as nossas filhas, surgiram vários aspetos. hoje, vou aqui destacar um: a ignorância (que ele teimosamente chamava de inocência).

há uma expressão em inglês que “my person” costuma usar “ignorance is bliss”, na qual eu acredito piamente.

fazíamos a analogia entre o acreditar no pai natal e no amor.

é verdade que o natal, depois do reinado do pai natal, continuará a ser uma época especial de reencontro familiar e de troca de presentes, mas terá perdido a magia no imaginário das crianças. deixará de ter o encanto e a magia do senhor de barbas brancas que lhes vinha deixar uma prenda especial (que a criança desejou e pediu…e para a qual se terá portado bem durante o ano  ).

algo semelhante acontece com a crença no amor. eu sempre fui uma sonhadora, uma devota do amor. até que cresci. e vi muita coisa. soube de muita coisa. percebi que o amor é um sentimento construído, que implica duas pessoas e que pode ser quebrado pelo cansaço, ou pela mudança de interesses, ou por nada, ou por tudo, ou unilateralmente, ou ... é um sentimento vivo que se alimenta do que o rodeia, que se distrai e que por vezes se perde. esta consciência fez-me começar a ser cautelosa, a medir afetos e investimentos. fez-me racionalizar o amor, portanto retirou toda a magia a este “nobre” sentimento.

tenho saudades de acreditar no pai natal, assim como de acreditar no amor!

espero que a minha pequena princesa guerreira acredite por muito tempo na magia, que se deixe encantar, que viva feliz cada amor, que acredite que se não acertou numa relação é porque não era essa a “tal”, que a sua cara-metade estará por chegar; mas que se valorize, que nunca perca a sua essência, que não aceite nunca menos do que merece, do que a faça sonhar, do que a faça sentir especial … que viva feliz na ignorância de que o amor pode acabar.

heart-762564_1920.jpg

imagem retirada daqui

desenrasque

procriação

imagem retirada daqui

 

o português é um indivíduo maravilhoso e polivalente.

se por um lado é criticada a nossa postura do desenrasque – pois tudo se resolve, tudo se faz, mas nem sempre se assegure a qualidade; por outro, temos de admitir que  esta é uma capacidade criativa e de resolução de problemas que em muito nos facilita a vida e permite avançar e mesmo contornar injustiças.

há pouco tempo, em consequência de mais um debate sobre o alargamento a todas as mulheres da procriação medicamente assistida, refletia em voz alta num grupo de amig@s o como seria o antes desta lei, sobretudo no caso das mulheres ou homens (situação que ainda prevalece) que não tivessem posses económicas para fazer face às despesas do processo.

nesse grupo estavam presentes uma amiga e um amigo homossexuais. olharam para mim como se eu fosse um et de cauda cor-de-rosa e disseram-me que sempre houveram alternativas, para além daquelas que são obviamente pagas. referiram que, por exemplo, eles já tinham ponderado ter um filho juntos.

eu questionei: mas iam ter relações sexuais? (na verdade usei o calão, mas por correção linguística evitei fazê-lo aqui)

a cara de nojo de ambos foi deliciosa!

ambos: claro que não!

foi aí que me explicaram, como se eu fosse mesmo uma et de cauda cor-de-rosa, que ele poderia ceder o esperma e este ser introduzido na vagina dela através de uma seringa (sem agulha é óbvio), e que poderiam tentar este método várias vezes. que há imensa gente a fazê-lo, e se ambos forem viáveis do ponto de vista biológico a gravidez acaba por acontecer.

senti-me mesmo doutro planeta…dada a minha ignorância (espero que alguns de vós o sejam também, para eu me sentir um pouco menos tótó).

a criança seria registada por ambos, pai e mãe. claro que o princípio que defendem é que isto deve ser um direito, livre de esquemas de desenrasque - o direito a constituir família.

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