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mami

. lifestyle . | devaneio & introspeção | descobrir | experimentar | partilhar | viver | sentir | amar | lutar | conquistar | desafiar | vencer | felicidade de ser e estar e não saber se se quer mais

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casar? não, obrigada!

casamento? não, obrigada!

já fui uma princesinha que sonhava com o seu dia de reinado.

aos 20 anos já tinha tudo planeado.

aos 25 decidi avançar.

aos 26 dei por terminada tamanha loucura.

após decidir avançar com o casamento começamos a projetar o próximo ano: arranjar um espaço onde morar, organizar um casamento, preparar a viagem de lua de mel...

recém licenciados, o dinheiro era curto. um dia estávamos a discutir a aquisição de um LCD. eu estava a tentar ser racional e sugerir uma aquisição contida pois teríamos de ter também dinheiro para a nossa viagem. foi aí que o meu ex-mais-que-tudo assinou a sua sentença: "para que vamos gastar dinheiro indo para um lugar se podemos ter o mundo numa televisão top?" a imagem que tenho desse momento foi a de um cachorrinho que primeiro pasma e depois roda a cabeça para tentar compreender o que está a ser dito. após segundos desta postura canina argumentei "ver e viver são coisas completamente diferentes!". não obtive a compreensão que esperava sobre este assuno e ele também não.

este episódio não levou ao final da nossa relação, mas suscitou o principio do fim. nesta simples situação percebi que tínhamos visões diferentes do que queríamos para a nossa vida e passei a estar mais atenta a pequenas situações. por exemplo, eu trabalhava longe, fazia diariamente 120km para ir trabalhar. no final do primeiro ano decidi mudar-me para a localidade onde trabalhava - pela distância e pela necessidade do meu espaço, depois da faculdade foi muito difícil readaptar-me a viver em casa dos meus pais. o meu ex-mais-que-tudo para além de se opor - como se tivesse esse direito - ainda teve a lata de envolver os meus pais na confusão. esse foi o ponto final. e o pensamento: "como é que esta postura possessiva e redutora me passou ao lado ao longo de 5 anos de relação?" resposta imediata: 5 anos de faculdade e um namoro de fim-de-semana!

quando não há responsabilidades e decisões um relacionamento pode ser perfeito. quando se começa a perspetivar uma vida e a ser adulto começamos a perceber o que queremos e o que não queremos. e eu queria poder decidir o que era melhor para mim. fazer o meu caminho. atingir as minhas metas.

depois deste episódio não voltei a pensar em casamento. e que se entenda que não o digo com tristeza ou desilusão, mas sim com pragmatismo.

na minha vida adulta acompanhei muitos casamentos. vi muita coisa que me desagrada: dependência, possessividade, traição, submissão... assisti também a muitas coisas boas: cumplicidade, companheirismo, dedicação ... mas no fim o saldo nunca me convenceu, sobretudo quando entrava o divórcio e se descobriam obscuros, dívidas... e um rol de problemas.

claro que os prejuízos e benefícios das relações são semelhantes entre os casados e os que vivem em união de facto. a diferença é a facilidade com que podemos bater com a porta e tratar das questões legais. sei que é também esta diferença que pode levar a um investimento e entrega menor. mas é a procura do equilíbrio e da felicidade que guia a nossa conduta e as nossa decisões. lamento não acreditar no amor para sempre mas a vida mostrou-me que esse tem edição limitada e é só para os elegidos! 

a união de facto foi para mim uma excelente opção, assegurando os benefícios e limitando os riscos.

ontem voltei a pensar no casamento.

em conversa com uma mulher que muito admiro, viúva recente em que desconhecia a sua história, falou-me do marido, da sua doença e da luta de ambos. a determinado momento da conversa disse-me que passados 29 anos de viverem em união de facto decidiram casar. a razão? ela poder tomar decisões sobre a doença/tratamento do marido. referiu situações em que se sentiu posta de lado e ambos temeram que se ele perdesse faculdades eles deixariam de ser ouvidos. foi super engraçado ouvi-la a relatar o seu dia de casamento, com total despreendimento e como um processo administrativo e burocrático como tantos outros. não casou pela ilusão de uma amor, casou para ter a certeza que perante a lei poderia fazer o seu papel de cuidar e garantir os desejos de com quem construiu uma vida.

a união de facto é reconhecida pela lei, os direitos dos cônjuges estão assegurados, mas na prática ainda se encontram entraves e dificuldades ... pelo menos em meios mais pequenos.

 

diz-se que: mudam-se os tempos, mudam-se as vontades ... mudam-se as motivações. 

o desconforto do toque

o natal é dar...e receber. não falo de coisas. falo de nós, de nos darmos e recebermos o outro.

estamos a dar-nos a quem amamos? estamos a deixar que nos amem?

art-painting-285919_1920.jpg

 há umas semana li uma crónica de clara pinto correia sobre o toque. a crónica era já antiga, de início do século XXI, prendia-se com a realidade da escritora que a essa data residia dos estados unidos.

foi uma das melhores crónicas do livro. prendia-se com a ausência de toque entre as pessoas, e como isso as afetava. existem hoje diversas terapias e sessões de grupo para as pessoas se tocarem (sem ordinarices se faz favor), se abraçarem, de sentirem o toque e o calor do outro.

confesso que sou algo adversa ao toque. não sei o porque mas não reajo bem. sinto uma invasão do meu espaço. sabem aquela questão do abraço? os meus quando ocorrem são fugazes. mais do que anda cá toma lá é um suplicio! abraços prolongados? um pesadelo! o abraço deixa-me " a descoberto".

tenho um problema, eu sei. a verdade é que não penso que seja um caso assim tão raro (quiçá pelos vossos comentários venha a descobrir que tenho de me internar).

com o mais que tudo há um quebrar de barreiras total. pelo que o toque é confortável e acolhedor. mas se alguma coisa está menos bem, evitar o toque é a minha primeira reação, uma defesa instintiva.

com os meus pais e irmãos o toque médio-rápido é tolerável, mas não abunda. é aquele beijo de olá e do adeus e uma abraço aqui e ali.

sei que há pessoas que gostam de beijos, abraços e afins (mesmo com amigos, colegas e outros que tal) e até tenho uma certa inveja.

o que me irrita são aqueles que nos querem impor esse seu gosto ou necessidade. tenho um colega de trabalho que amuou comigo porque me neguei a cumprimentá-lo .t.o.d.o.s. .o.s. .d.i.a.s. com um beijo. desculpem lá, uma coisa é picar o ponto outra coisa é que o senhor decida que tenho de lhe dar dois beijinhos diariamente. um bom dia é o exigível por educação. o mesmo para os amigos regulares. eriça-me a pele quando vejo os pais a obrigar as crianças a darem beijos quando os miúdos não querem.

cada qual com as suas limitações. com aqueles que estão presentes na minha vida por condicionalismos sociais ou profissionais, manterei a minha postura de respeito pela defesa do meu espaço táctil. com a minha família e amigos chegados quero deixar de ser fisicamente tão distante, porque sei que alguns precisam deste toque amigo e fraterno e porque reconheço que também me fará bem.

 

assim introduzo o desafio do advento #21

identifiquem uma característica da vossa personalidade que tenha influência naqueles que amam, e que vocês gostariam que fosse diferente. identifiquem como poderão trabalhar no sentido de atingir as alterações que desejam. e deem esse projeto de mudança como prenda neste natal a vocês e a quem amam.

a profecia que se autorrealiza

depois dos 30 desenvolvi uma certa alergia à idade (à minha).

a ideia de envelhecer é assustadora, e não se pense que é porque tenho mais 10 brancas ou 2 rugas novas - embora não negue que incomoda um pouquinho, é sobretudo pela perca de “tempo”, ou seja, cada ano que passa é menos um ano que tenho (independentemente de ainda ter mais 5, 15 ou 50 pela frente), e independentemente de tudo o que fiz no último ano ou na minha vida até agora.

sempre fui um ser insatisfeito (fá incondicional de antónio variações). sempre quis mais, fazer mais, conhecer mais, viver mais experiências.

porém há coisas que ou se fazem em determinada idade ou ficam desprovidas de sentido. não sou extremista, mas há coisas que têm o seu tempo e o seu contexto. por exemplo, sempre quis fazer um interrail pela europa, durante o liceu a nega dos meus pais foi constante, durante a faculdade as despesas eram focadas na minha educação e isso seria um luxo, quando comecei a trabalhar, nunca pude ter o tempo de férias seguido exigido para esta aventura… portanto fui assumindo que nunca faria um (na reforma talvez de autocaravana). agora acontece o mesmo com a gravidez, tenho de decidir avançar ou não, porque sinto o tempo a fugir. sim, eu sei que há mulheres a engravidar aos 50, 60, 70 … mas a minha questão (respeitando as opções dos outros) não é o simples ato biológico da conceção e gravidez. a minha questão é ter tempo útil para educar um ser humano, para o acompanhar, dar-lhe a possibilidade de conhecer e conviver com os avós… a questão não é a minha idade quando tudo começa, mas até onde pode ir.

em portugal o estigma da idade ainda existe em determinadas profissões - parece que a validade é até aos 35 anos. por outro lado daqui a nada o cartão jovem chega também aos 35. um contrassenso?! a idade começa a ter diversas abordagens, regalias e limitações, um misto que traz uma certa indefinição, o que, no limite, faz com que a sua importância se anule.

já me mentalizei (acho eu) que uma vida não chega para todos os anseios que trago em mim. no entanto ainda não encontrei a paz para viver segundo essa visão.

um outro aspeto que odeio no facto de fazer anos é a manifestação de afeto. nunca lidei bem com o afeto, faz-me sentir frágil. sempre transportei uma capa de dureza, autonomia, altivez e arrogância… ajuda a manter as pessoas que não interessam à distância e as que gostamos numa linha de segurança que temem ultrapassar.

já fiz muita estupidez no meu dia de aniversário. nenhum corre bem. tento de mais ou tento de menos ignorar o dia. tem sido engraçado ver como as pessoas que nos amam respeitam estas paranoias / fragilidades. por exemplo, mandam mensagens de parabéns – honestas mas contidas e, em presença, nem mencionam o assunto… amo esta compreensão e respeito!

mas pronto… lá vem mais um … avizinha-se mais um dia de crise (a sorte é que é só um por ano)

 

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